O Que São Debêntures e Como Investir Neles

Debêntures não é um investimento tão desconhecido. Porém ele parece ser meio esquecido. Um dos motivos para isso está na dificuldade de negociar tais ativos, além da atratividade desse produto financeiro.

O artigo está separado nos seguintes títulos:

Outros ativos como os CDB, LCI, LCA, e até o Tesouro Direto, que são, digamos, primos das Debêntures acabam ganhando mais espaço na mídia. Mas porque isso ocorre? Será que o rendimento das debêntures é pior do que os outros ativos? Ou quem sabe é mais difícil ter acesso a esse tipo de investimento?

Nesse artigo caros colegas, vamos falar bastante das debêntures! E esclarecer qualquer tipo de dúvida que exista a respeito desse ativo pouco comentado!

1- Debêntures o que são?

Quando compramos um CDB estamos emprestando dinheiro ao banco. Em toca de nosso rico dinheirinho, o banco nos remunera com juros. Em grande parte das vezes através do CDI, ou DI, taxa equivalente a Selic.

Já no Tesouro Direto, quando compramos as letras do programa estamos financiando a dívida federal. Esse dinheiro aplicado vai parar no governo, que nos remunerara através da taxa Selic, ou IPCA mais juro prefixado, ou o juro prefixado mesmo.

Mas e as empresas privadas? Que não são bancos? O que elas fazem para conseguir dinheiro no mercado? Vendem ações, alguns podem responder… Mas e se a companhia não quiser abrir o capital para os investidores, o que fazer?

Então essa companhia, pode fazer uma oferta pública de debêntures! Captando recursos no mercado lançando papéis que vão funcionar de maneira bem similar a uma letra do Tesouro, ou um CDB.

Para conseguir fazer essa oferta, é preciso definir garantias, e arranjar a documentação necessária para iniciar o processo junto à bolsa de valores. Falando em garantias, vamos ver quais são…

2- Garantia das Debêntures!

De maneira similar ao Tesouro Direto, ou os produtos de renda fixa oriundos de bancos, as debêntures também possuem garantias.

Nada muito parecido ao FGC, ou quem sabe o Tesouro Nacional, mas também existem garantias. É importante deixar claro, que as debêntures são consideradas produtos de renda fixa, porém não estão protegidas pelo FGC e tão pouco pelo Tesouro Nacional. Ou seja, a garantia está por conta da empresa emissária das debêntures!

Vamos falar de cada tipo de garantia, iniciando pelo modelo mais utilizado no mercado.

Garantia Quirografária

Esse tipo de garantia é o mais comercializado no mercado. Resumindo, o investidor, detentor da debênture concorre em pé de igualdade com os outros credores da empresa em caso de falência.

Em outras palavras, caso a falência venha ocorrer, é bem provável que você fique com uma mão na frente e outra a traz. É bem importante deixar claro, que existe uma espécie de fila, quando uma companhia vêm a falir.

Não é feito simplesmente um encerramento da companhia, e depois todos recebem partes da empresa como pagamento pelos débitos da mesma.

Existe uma preferência de recebimentos. Ao falir, a companhia é liquidada, todos os seus bens, são vendidos (pode ser em forma de leilão) e com o dinheiro adquirido, os primeiros a receberem alguma coisa são os funcionários.

É comum em casos de falência, os funcionários de uma empresa não contarem com o  FGTS, e outros benefícios (principalmente com relação a previdência, INSS). Portanto, os primeiros a recebem são os funcionários.

Depois temos os bancos, logo após o Estado, e por último os fornecedores e afins. Ou seja, é bem provável que o investidor fique entre as instituições financeiras e os fornecedores na hora de receber os valores.

Mas se isso for mesmo ocorrer, dificilmente os funcionários conseguem receber tudo, imagina os outros credores da  lista! Não estou falando isso para desanimar não, mas sim para mostrar a realidade do investimento.

Mesmo com uma garantia, relativamente ruim comparado a outros tipos de investimentos, as debêntures são os produtos de renda fixa com um dos melhores resultados do mercado! Vamos ver as outras garantias como funcionam!

Garantia Real

Esse tipo de garantia sim oferece aos investirdes preferência sobre algum ativo da companhia. Mas confesso que são mais difíceis de ocorrer no mercado, geralmente existem mais quirografárias.

No caso da garantia real, um ativo da empresa é colocado como garantia, e a emissão das debêntures deve se reservar até 80% do valor total do bem.

Em caso de falência existe uma boa chance de conseguir o dinheiro de volta, ao menos! Lembrando que a regra dos 80% só se aplica se o valor da emissão for superior ao valor total do capital social.

Garantia Flutuante

Forma de garantia que cobre todo ativo, sem restrição para negociar os bens que compõem o mesmo. A companhia que optar por esse tipo de garantia, deve se limitar a uma emissão de 70% do valor do ativo.

O cálculo para chegar ao valor do ativo, deve levar em consideração a subtração dos valores do passivo, e de outras garantias. Caso haja uma emissão de debêntures com garantia real, deve ser reduzido do cálculo o bem que faz parte de tal garantia.

Garantia Subordinada

Nessa modalidade o investidor só terá privilegio sobre os acionistas em uma situação de liquidação da companhia. Estamos falando em uma garantia pior do que a Quirografária. Não existe limite para emissão!

Essas seriam as 4 garantia existentes para as debêntures. Ainda existem mais três garantias assessorias, que seriam, as seguintes:

  • Garantia fidejussória

Trata-se de uma espécie de fiança que os acionistas e controladores da empresa se propõem a pagar.

  • Privilégios e preferências

Aqui estamos falando em um privilegio que os credores das debêntures terão sobre os demais credores da companhia.

  • Emcovenants

Essa garantia assessoria é bem interessante! Nesse caso, a empresa ira assumir alguma obrigação junto aos credores das debêntures. Como por exemplo, limitar o total do endividamento da companhia até que as debêntures sejam encerradas, e coisas do gênero.

3 – Mas como investir em Debêntures?

Quase tudo no mercado, quando é lançado passa por uma oferta pública antes! A mesma coisa ocorre com as debêntures! Recordo-me que uma das mais comentadas foi referente às debêntures da Vale! Uma vez que as mesmas foram classificadas como incentivadas! Mas a frente o leitor vai entender melhor o que é uma debênture incentivada!

Nessa oferta, por exemplo, os recursos seriam destinados a uma ferrovia, fato que beneficiou essa iniciativa, uma vez que os investidores pessoa física estariam isentos do IR! Segue mais uma imagem referente à oferta:

As debêntures como as ações são negociadas na bolsa de valores! Sendo assim, do mesmo jeito que você acessa o Home-Broker para comprar ações, FII ETF e afins, é possível também, comprar debêntures.

Se em sua corretora não exista a opção de comprar diretamente pela plataforma de investimento, o cliente pode tentar realizar a operação pela mesa de operações.

Através da mesa, com o atendimento de um assessor é possível realizar a solicitação e executar a operação. Se mesmo assim o investidor ainda não conseguir fazer a compra, é possível recorrer a outras plataformas de investimento.

Algumas corretoras, como a XP Investimentos, Easynvest entre outras, oferecem uma espécie de shopping financeiro onde é possível comprar debêntures além de outros ativos de renda fixa.

4 – Custos e Despesas

Os custos envolvendo essas negociações podem variar bastante de corretora para corretora. Por exemplo, na Socopa o investidor não consegue realizar a aquisição pelo Home-Broker. Somente através do atendimento por telefone é possível adquirir debêntures.

Sendo que a corretagem fica por volta dos R$ 25,00 por operação. Existem outras corretoras que chegam a cobrar mais de R$ 50,00 por operação! Muito não é verdade?

Enquanto as instituições que oferecem as debêntures por meio do shopping financeiro, o custo de aquisição é relativamente baixo, ou nulo! Falando sobre custodia, algumas corretoras também vão cobrar essa taxa, uma vez que as debêntures são negociadas na bolsa, e, portanto, são passiveis dessa cobrança.

Caso o investidor já tenha ações, FII, ou ETF em carteira, é bem passível que a custodia não seja cobrada. Uma vez que já está sendo (a custodia é uma taxa que independe se você tem ações, FII ou ETF, ela é cobrada a partir do momento que você contar com qualquer tipo de ativo na carteira).

Outros emolumentos também são cobrados na hora da negociação, mas nada que seja relevante. Com relação ao imposto de renda, por se tratar de investimentos onde compramos e vendemos para outras pessoas, a retenção fica por conta do investidor.

Ou seja, quando for fazer a sua declaração anual, se houve lucro com uma venda de debêntures, deverá ser informado o ganho de capital. Com relação aos pagamentos de juros e amortizações durante o período da debênture, as retenções de impostos acontecem automaticamente, no ato das distribuições.

Pelo menos uma coisa a menos para se preocupar. Resumindo: os custos para investir em debêntures podem ser um pouco maior do que os outros ativos, como ações, FII e ETFs.

5 – Tributação

Ao investir em debêntures é bem provável que o investidor recebe periodicamente os pagamentos referentes ao juro dos títulos. De forma bem parecida ao Tesouro IPCA+ por exemplo.

Assim, toda vez que um pagamento desses ocorrer, haverá uma retenção de IR. Segue tabela com as alíquotas para cada período:

Na grande maioria as debêntures acabam tendo vencimentos superiores aos cinco anos, sendo assim é bem provável que na hora da amortização do papel a alíquota de IR seja de 15%.

Durante os pagamentos dos juros o investidor deve ficar atento aos períodos dos primeiros pagamentos. Se eles foram após os 180 primeiros dias do título (contando a data de sua emissão até o momento do pagamento) então é bem provável que o investidor tenha uma retenção de 20% sobre o ganho. Caso o pagamento ocorra após os 360 dias então a alíquota será de 17,5% e assim por diante.

A declaração de imposto de renda é basicamente lançar os valores que o investidor possui em debêntures, colocando o nome e as características no campo de bens, enquanto os rendimentos oriundos das distribuições e amortizações podem ir à área de rendimentos isentos!

Em caso de venda de debêntures, é preciso lançar o ganho de capital (se houve) se não houve, somente a baixa do bem no campo de bens é o suficiente.

Como as ações e demais ativos negociados na bolsa, as debêntures também podem ser encontradas através do Home-Broker, por isso fique atento! Se você está interessado em comprar algum ativo, análise junto ao site da BM&F Bovespa se a debênture em questão possui algum tipo de liquidez.

Assim, você consegue alguma pista sobre a facilidade de negociar o ativo. Excluindo essas formas de negociar as debêntures, podemos encontrar fundos que investem nas mesmas!

Agora sim, falamos sobre todas as garantia, tributação e como investir! Mas então, sabendo que as debêntures possuem um valor alto para investimento inicial (geralmente entre os R$ 1.000,00) e não contam com garantias do calibre do FGC ou Tesouro Nacional, como proteger o meu capital de possíveis problemas?

O nome da solução é diversificação! Do mesmo jeito que acontece com as ações, às debêntures muitas vezes não oferecem garantias equivalentes ao Tesouro Nacional, ou o FGC. Por isso o investidor deve tentar ao máximo reduzir sua exposição a só uma empresa.

Então para reduzir as suas chances de escolher a debênture errada, o investidor deve além de analisar o balanço da companhia, investir em mais outras debêntures referentes a outras firmas. Inclusive, se for possível, de segmentos diferentes. Assim, você consegue reduzir bastante o risco da carteira.

6 – Fundos de Investimentos

Os fundos de investimento em debêntures são uma das melhores opções para os investidores. Primeira vantagem que vejo nessa forma de instrumento está ligada a diversificação.

Enquanto a negociação de debêntures pode ser algo um pouco mais demorado, envolvendo valores altos por cada papel, através de fundos de investimento o investidor fica mais tranquilo para comprar cotas e vende-las se necessário.

Atualmente temos dois tipos de fundos de investimento em debêntures. Temos os fundos com isenção e IR e os normais.

Os fundos isentos investem predominantemente em debêntures isentas de IR ou as debêntures incentivadas! Vamos falar delas mais a frente.

Já os outros fundos, vão tributar o investidor da mesma forma que os fundos convencionais. Segue o desempenho de um fundo isento:

Fundo da Órama Debêntures Incentivadas FIM está conseguindo em 2017 um rendimento muito superior ao DI. É preciso levam em conta que o DI no momento está em queda. Ou seja, a taxa de juro está sofrendo reduções e, portanto isso amplia ainda mais a distancia entre os rendimentos.

Sem falar que as debêntures, que muitas vezes possuem seus rendimentos atrelados a um juro prefixado mais IPCA (bem parecido as letras do Tesouro IPCA +) acabam se beneficiando da queda do juro.

Quem não gostaria de uma rentabilidade de quase 11% nos últimos 12 meses? Ainda por cima isento de IR! O fato negativo do fundo fica por conta do tempo necessário para resgatar o valor.

Nada menos do que 30 dias! Nada é perfeito caro leitor, o fundo exige no mínimo 30 dias para conseguir liquidar a posição do investidor que está querendo sair do fundo, ou simplesmente movimentar parte do valor.

Caso o leitor esteja interessado em saber mais sobre fundos de investimento, segue alguns artigos:

O valor mínimo para aplicação e de movimentações é de R$ 1.000,00. Comparando esse valor as quantias mínimas necessárias, acredito que o fundo está dentro de um padrão.

É verdade que muitos investidores ainda sim, não possuem condição para mobilizar tamanha quantidade de dinheiro e aplicar no fundo.

Vamos um pouco mais além nessa analise! Com o número do CNPJ do fundo, podemos ir até o site da CVM realizar uma pesquisa sobre várias informações do fundo. Vamos conferir a composição da carteira!

O patrimônio do fundo é relativamente alto, tendo mais e 20 milhos de reais, sendo que 17 milhões estão investidos em debêntures. Os outros valores estão separados entre contas a pagar e a receber, fundos de investimentos e outros.

Verificando a página toda, podemos conferir a composição da carteira, com as informações de cada debênture investida.

O fundo possui mais de 40 debêntures em sua carteira! Quantidade muito elevada para qualquer investidor pessoa física ter em custodia. Imagine que em média cada debênture foi lançada pelo valor de R$ 1.000,00. Se o investidor simplesmente ter uma de cada, isso já exigira um investimento de R$ 40.000,00! Valor muito alto, ainda mais para colocar em uma aplicação que possui pouca liquidez.

Analisando uma das debêntures que aparece na lista cima, vamos pegar o ativo relacionado à empresa Comgás para analisar. Com os dados coletados, podemos ir até a página da BM&F e realizar a pesquisa, segue:

Nessa imagem acabei destacando o valor do PU ( Preço Unitário) da debenture e a remuneração da mesma. IPCA + 7,357% de rendimento é muito bom!

A debênture foi lançada no final de 2015, quando a situação brasileira ainda estava bem mal, ou melhor, o impeachment da presidente ainda nem havia saído. Com isso boa partes dos investidores contavam que a presidente iria até o final do mandato.

Com a saída da mesma, houve uma grande mudança, fato que beneficiou a economia nacional. Tornando tais debêntures muito atrativas. Com o juro em queda e a inflação controlada, os investidores voltaram a confiar e reconheceram tais papeis como ótima oportunidades de investimento!

O PU que aparece na parte inferior da imagem se refere ao valor atualizado da debênture. No caso, essas debêntures da Comgás tiverem o valor de lançamento de R$ 1.000,00. Então a debênture tem até o momento um rendimento de R$ 1.146,54. Não podemos nos esquecer de que houve nesse período pagamentos de juros, ou seja, a rentabilidade provavelmente foi maior. Segue mais uma imagem, com o valor nominal atualizado e o PU:

Ao analisar os valores podemos constatar que existe uma diferença entre os valores. O PU é o valor de R$ 1.146,54 já o valor nominal atualizado é o do lado, R$ 1.087,40. Esse valor nominal é referente a atualização pelo IPCA. Já o PU consiste no valor do juro mais o valor do IPCA.

Ou seja, ao final do ano, em 15/12, haverá o pagamento do juro, sendo assim, esse valor vai ficar bem próximo ao valor nominal. Até o momento, o juro que será pago em cima da debênture é equivalente a R$ 59,00. Pegando o valor inicial do ativo que era de R$ 1.000,00, o rendimento é de 5,9%! Líquido de IR! Como ainda faltam três meses para chegar até o dia 15/12, o rendimento será ainda maior. É bem provável que nesse período, a taxa de juro tenha caído mais um pouco, chegando próxima dos 7% ao ano, ou quem sabe, menos.

Resumindo, o investidor pode consultar mais informações sobre o fundo no site da CVM. Lá é possível saber de todas as debêntures que fazem parte da carteira. Com esses dados fica mais fácil fazer uma biuca por cada ativo, analisando o seu valor nominal e o PU, sem falar da remuneração!

Voltando as características do fundo da Órama, identificamos que a taxa administrativa é inferior a 1% ao ano ficando próxima dos 0,90% ao ano! Ótima taxa administrativa!

Mas será que existem outros fundos no mercado com essa tal isenção de IR? Sim! E a partir de quantias ainda menores de entrada e movimentação!

O próximo fundo que veremos é o Brasil Plural Debêntures Incentivadas 45 CP FIM. Esse fundo é derivado de outro fundo do Banco Plural. Segue imagem com o desempenho do mesmo:

No ano o desempenho do fundo do banco Plural está abaixo do fundo da Órama. Mas ainda sim esse fundo possui um grande diferencial! O investimento mínimo é de R$ 100,00! Isso sim é ser acessível!

A taxa administrativa é praticamente a mesma do fundo da Órama, porém existe um fato ruim nesse fundo, o tempo de resgate! Enquanto em um fundo era de aproximadamente 30 dias, nesse é no mínimo 45 dias.

Os dois ativos possuem taxas de performance. Cada um aplica 20% sobre o que passar o IPCA + 5%. Em minha visão o investimento em ambos os fundos parece ser interessante.

Vale lembrar que o fundo do banco Plural investe em outro fundo do mesmo banco. O que acontece é que um fundo não aceita mais cotistas, sendo assim, é feito um novo fundo, e esse novo investe nas cotas do fundo que está fechado.

Desse modo, os investidores que entraram nesse fundo estarão investindo indiretamente no outro fundo. Com isso a rentabilidade vai caindo um pouco uma vez que as taxas administrativas de cada fundo acabam agindo nesse método de investimento.

O mercado ainda conta com mais fundos isentos de IR. Vou citar dois, que inclusive estão disponíveis na Órama, segue:

  • RB Capital Debêntures Incentivadas FIC FIM CP
  • AZ Quest Debêntures Incentivadas FIC FIM CP

Esses dois fundos possuem o valor inicial para aplicação de R$ 1.000,00. Sendo que o AZ Quest libera o valor resgatado em um dia a menos do que os outros. Falando nesses dados, com relação ao desempenho dos fundos, ambos estão girando na casa dos 10% em 2017.

É preciso esclarecer que esses fundos têm duas rentabilidades determinadas pelo valor de mercado das debêntures. Portanto pode ocorrer desses fundos apresentarem prejuízo no curto prazo.

Uma vez que o juro, ou mesmo, a expectativa do mercado for piorar, com um aumento do juro no curto e médio prazo, é possível que o valor das debêntures no mercado fique mais baratas, depreciando valor da carteira como um todo.

Caso o investidor esteja com dúvida, analisando a carteira do fundo no cite da CVM é possível ver o valor de mercado e confrontar com o PU de cada uma. Hoje em dia o que não falta é informação!

7 – Debêntures Incentivadas

O governo federal emitiu a seguinte lei 12.431 de 27 de junho de 2011 que posteriormente foi atualizada (MP nº 601, de 28/12/12). Segundo a lei, dois grupos de ativos poderiam se beneficiar da isenção e IR, são os seguintes:

Títulos privados longos (não residentes): alíquota zero de IR para rendimentos de títulos privados, com características de prazo e remuneração específicas e recursos captados alocados em projetos de investimento, adquiridos por residentes ou domiciliados no exterior.

Debêntures de Infraestrutura (residentes e não residentes): Isenção/redução do IR para debêntures com as mesmas características de prazo e remuneração específicas e de emissão de SPE constituída para implementar projetos de investimento na área de infraestrutura, ou de produção econômica intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), considerados prioritários na forma regulamentada em Decreto do Poder Executivo Federal.

Essas informações foram retiradas do site da Anbima. Então fica bem claro que as debêntures que sejam financiadoras de obras de infraestrutura vão se beneficiar de tal isenção. Em outras palavras, se uma empresa, como a AMBEV realizar uma captação de dinheiro no mercado via debêntures, para construir um novo polo indústria de cerveja é bem provável que essas debêntures não se encaixem nos padrões requisitados para a isenção de IR.

Já debêntures emitidas por concessionarias de autoestradas, aeroportos, portos e afins, com certeza poderão se beneficiar de tal lei. Hoje existem diversas debêntures de companhias assim, como a Raposo Tavares, GRU Airport, Autoban, Energia BR, Comgás entre várias outras.

O investidor pode conferir mais sobre essas debêntures através do link da BM&F Bovespa. Lá você poderá procurar pelas debêntures mencionadas e por mais. Inclusive analisando se houve negociações no dia.

Mesmo observando todos os riscos relacionados às debêntures, principalmente aqueles que tenham a garantia Quirografária, e que possuam poucas negociações diárias, os rendimentos das debêntures incentivadas podem ser muito bons!

Já mostramos uma debênture com tais características pagando nada menos do que 7,35% + IPCA (lembrando que no momento em que escrevo a taxa Selic está em 8,25%,). Ou seja, somente o juro prefixado da debênture já pode ser comparado à taxa de juro. Uma vez que boa parte dos investimentos atrelados a DI não vão pagar mais do que 100% do DI (sem contar a existência da retenção de IR) estou desconsiderado nessa comparação os títulos ofertados por bancos menores e LCI, LCA e CRI (que geralmente pagam mais do que 100% de DI).

Fazendo alguns cálculos, e pegando o centro da meta para a inflação determinado pelo governo federal para os próximos anos, teremos um centro de 4% ao ano. Investindo nessas debêntures o rendimento anual é superior aos dois dígitos.

Caso a taxa de juro e a inflação permaneçam nesses patamares (é bem provável que não haja tão cedo uma taxa Selic de dois dígitos) aplicar parte do dinheiro em debêntures com tal rendimento pode ser uma boa opção para aumentar o ganho da carteira. Por isso o investimento nesse tipo de ativo pode ser uma boa visando o longo prazo.

Procurando pelo site da BM&F encontrei a seguinte debenture incentivada:

As debêntures da empresa Energias Brasil possui rating Aaa3Br, isso significa que nacionalmente tal ativo possui um bom grau de investimento.

Quando falo nacional quero me referir que os padrões internacionais são diferentes. Dificilmente um ativo nacional pode se superior ao rating de crédito do governo federal por exemplo. Observando isso, acredito que alguns leitores podem se confundir com o rating internacional e nacional (é bem provável que internacionalmente o rating dessa debênture seja algo próximo da nota dos títulos do Tesouro ou inferior, a nota seria algo próxima do BBB).

Na próxima imagem vamos conferir a rentabilidade do papel!

A rentabilidade do ativo é de 8,76% ao ano mais IPCA! Presumindo que o IPCA fique por volta dos 4% ao ano até o vencimento do papel, o investidor que estiver com essa debenture na carteira terá uma rentabilidade aproximada de 1% ao mês!

Com uma taxa de juro sendo reduzida, e podendo chegar inclusive abaixo dos 7% ao ano tal rentabilidade parece ser de outro mundo. Lógico que o vencimento do papel não é para sempre. Mas até 2024, se não houver nenhum problema com a empresa o investidor pode fazer uma boa grana com essa debênture!

Ainda observando as informações da última imagem podemos ver que os pagamentos de juros são semestrais. No mínimo em um ano, o investidor vai receber dois pagamentos de juros.

Fato que pode trazer mais tranquilidade ao investidor uma vez que parte de seus ganhos será pago antes do vencimento. Sem levar em consideração amortização das cotas.

A amortização nada mais é do que o pagamento, em partes do valor da debênture! A amortização vai iniciar em 2022! Com pagamentos que equivalem a 33,33% do papel, ou seja, serão três pagamentos.

Fazendo uma conta rápida, o investidor que comprou tais debêntures em sua oferta pública, teria um rendimento até o vencimento de aproximadamente R$ 2.468,95.

Levando em consideração uma inflação durante todo esse período de 4% ao ano e a compra de uma única debenture. Ao final o investidor teria conseguido um rendimento no período de 9 anos de aproximadamente 146% sobre o valor aplicado.

Em outras palavras, ao aplicar R$ 420.000,00 nessas debêntures, em nove anos o investidor teria mais de um milhão de reais! Observando que boa parte desse valor já viria antes na forma de pagamentos dos juros. Esse capital poderia ser aplicado em outros produtos de renda fixa, tornando essa rentabilidade ainda maior!

Mas analisando tudo isso, será que aqueles que possuem tais debêntures fariam negócios? Alguém com um papel tal fascinante quanto esse estaria disposto a vendê-lo?

8 – Preços das Debêntures

Já falamos sobre PU, e valor nominal das debêntures, correto? Mas e na hora de investir, ou melhor, de comprar uma debênture? Como é feito a precificação?

A mercado! Do mesmo jeito que acontece com as ações, às debêntures também são negociados no mercado seguindo a ideia de oferta e procura!

Se existe pessoas dispostas a comparar a debenture da Energia Brasil por um preço superior ao PU dela, então o preço do papel será superior ao valor atualizado do mesmo.

Isso acontece uma vez que o papel ainda tem um bom potencial de lucro. Mesmo que você pagasse nesse título 10% a mais do que ele realente vale agora, em questão de um a dois anos tal pagamento já seria recompensado!

Mesmo sabendo que essa debênture não vai se tornar um Magazine Luiza, os rendimentos oferecidos são muito bons! Vamos conferir como foram os últimos negócios envolvendo essa debênture:

O leitor pode consultar a lista com as últimas vendas de sua debênture através desse link. A última negociação do papel foi em 17/02/2017! Há bastante tempo! E mesmo assim a venda foi realizada com um lucro interessante. Observe nessa linha temos o valor do PU no momento da venda, o valor negociado por cada debênture e a quantidade.

Por se tratar de um mercado sem muita liquidez, geralmente os bancos e instituições financeiras acabam tendo mais negócios. Nesse em particular teve 150 debêntures negociadas. O valor total da compra foi de aproximadamente R$ 195.000,00! Sendo que o valor de cada debênture atualizada até o momento era de R$ 1.134,49 Então o vendedor do papel conseguiu um lucro de R$ 24.826,50! Até que está bom, não é mesmo?

Já na linha abaixo, temos outro negócio! Esse é referente ao mesmo ano (2017), porém teve um resultado pior para o vendedor. Na verdade ele até saiu com um lucro, mas bem menor do que o último negócio.

Se você for observando as outras negociações provavelmente vai perceber que no inicio alguns negócios podem ter gerado prejuízos aos investidores.

Isso se deve a expectativa do mercado! No último negócio da imagem, temos uma transação que envolveu 30 debêntures da Energia Brasil. Nessa em particular houve um pequeno prejuízo, de R$ 2,86 em cada debênture.

No total houve uma perda de R$ 85,80! Pouca coisa! Ainda mais quando estamos vendo o montante da negociação, R$ 30.000,00! Veja que essa venda ocorreu ainda em 2015, bem no meio da crise! Os juros estavam em alta e a inflação também.

Havia uma desconfiança muito grande em nosso país, e a economia ainda por cima estava andando para traz. Nada parecia ter solução, por isso esses papéis, mesmo pagando muito traziam muita desconfiança, fato que atualmente não é mais bem assim.

9 – Tipos de Debêntures

Existem 3 tipos de conversões de debêntures:

  • Simples
  • Conversão em ações
  • Permutável

Dentre essas três opções a mais utilizada é a simples! Nada mais é do que pagar a debenture com dinheiro no vencimento do papel.

Acredito que dentre as opções que temos a simples também é a mais interessante. O investidor recebe o dinheiro de volta com os rendimentos, e pode investir em outro ativo.

Conversão em ações

Como o próprio nome já diz as debêntures com conversão em ações, no vencimento podem ser trocadas por ações da empresa. Nesse caso o investidor pode escolher se quer fazer isso.

Caso não tenha o interesse em trocar por ações, o investidor investido nesse tipo de debenture pode fazer tranquilamente. Lembrando que será preciso ler as regras da emissão para conseguir identificar como fazer a solicitação por ações, ou simplesmente o pagamento da debenture.

Permutável

Por último temo as debêntures permutáveis, nesse caso, o investidor podo na hora do vencimento do papel trocar seus títulos por ações de outras empresas, e não somente da empresa emissora.

Esse tipo de debênture, às vezes pode incluir a troca da debênture até por outros ativos da companhia emissora, como títulos de credito entre outros. Pra mais informações, o investidor deve se ater as regras da emissão.

10 – Vale a pena investir em Debêntures?

Na minha humilde opinião vale muito a pena investir em debêntures! Desde que o investidor consiga ter o mínimo de diversificação e investir uma pequena parcela do patrimônio. Obedecendo tais requisitos, não vejo problema algum em comprar algumas debêntures, ou melhor, investir em um fundo com isenção de IR.

Lembrando que os fundos com isenção de IR são os referentes às debêntures incentivadas, como os que vimos anteriormente. Existem no mercado alguns fundos assim, sendo que um em especificar possui uma acessibilidade maior do que os outros.

Um fundo com aplicação inicial de R$ 100,00, é bem interessante! Está certo que o fundo do banco Plural não possui o melhor rendimento dentre aqueles que vimos no artigo, mas mesmo assim ainda é uma bela opção.

Já os fundos oferecidos pela Órama são uma boa também. Mesmo com um valor inicial para investimento alto. R$ 1.000,00 (realmente não é pouca coisa). O fundo da própria Órama possui mais de 40 debêntures na carteira sendo que nenhuma debênture possui mais de 6% de participação no portfólio, ou seja, o negócio realmente está bem diversificado.

Os rendimentos de tais papéis ainda mais os que são incentivadas, e, portanto isentos de IR é bem alto. Dependendo do rendimento, em menos de 10 anos o investidor já consegue obter um rendimento de mais de 100% sobre o valor aplicado. Isso que o ativo não é de renda variável, sendo bem previsível sua rentabilidade.

É importante destacar sua vertente de renda variável também. Se tratando de um papel que pode ser negociado no mercado, o papel pode ser vendido por um valor superior ou inferir ao seu valor atualizado.

Por fim cabe ao investidor estudar bastante os papéis! O mercado pode ter pouca liquidez, mas tem uma grande diversidade! Então fique de olho e tente ao máximo diversificar, dessa forma os riscos ficam pulverizados evitando possíveis problemas!

Gostou do artigo? Precisando de mais informações sobre outros investimentos? Confira nossa lista a seguir com algumas sugestões:



Descubra Como Conquistar a Sua Independência Financeira Em Apenas 10 Anos Investindo Só R$200 Por Mês!

Você vai descobrir...

  • Porque as maneiras mais populares de se atingir a independência financeira só estão fazendo você perder tempo (e oportunidades).

  • Quanto tempo você realmente tende a levar para atingir a sua independência financeira.

  • Porque a bolsa de valores pode acelerar a sua acumulação de capital em mais de 2x com toda a segurança do mundo.

  • O quê fazer para conquistar os seus objetivos da maneira mais rápida, fácil e simples possível.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *