Você Sabia Que Backtests São Inúteis Sem o Teste do Olhômetro?

Sempre gostei de operar suportes e resistências.

Uma nova máxima? Legal, se isso aconteceu o papel deve estar forte e então, provavelmente continuará subindo. Uma nova mínima? Melhor vender à descoberto…

Mas recentemente, decidi considerar outros sistemas e ferramentas de trading. Não porque o meu sistema não estava funcionando, mas sim, para conhecer outras opções.

Então, no meio dessa busca por mais conhecimento, li “Mechanical Trading Systems” do Richard Weissman. Nesse livro, Weissman diz que os sistemas de trading puramente mecânicos são melhores do que os arbitrários. Fala também sobre suas vantagens, seus pontos negativos e principalmente, se funcionam, como funcionam, quais apresentam um melhor “custo-benefício” e por aí vai.

Weissman defende bem o uso das médias móveis. Tá, existem mais variações dessa ferramenta técnica do que chineses no mundo. O cara se refere principalmente às médias móveis simples. Ele diz que, depois do MACD, sistemas baseados em cruzamentos dessas linhazinhas felizes (duas, uma de 9 e outra de 26), apresentam resultados muito bons, além de constituírem sistemas muito robustos.

Mas será mesmo?

Eu resolvi tentar descobrir e acabei aprendendo algo vital.

Algo tão importante para os backtests que eu precisei escrever um novo post…

Meu Novo Sistema de Trading?

Enfim, eu nunca dei muita bola para as médias móveis antes, muito menos para as simples, e por isso, minha primeira atitude foi estudar mais sobre o assunto. Li mais alguns artigos e aí, finalmente entrei no ADVFN.com. Plotei as linhas no gráfico para ver como elas se comportavam e observei.

Achei tudo interessante e depois, decidi jogar os dados no Excel para ter uma idéia melhor de sua efetividade. Programei todas aquelas tabelas super chatas e então, tadá!

Mesma coisa, elas apresentavam resultados semelhantes aos dos outros sistemas que tinha testado antes, ou seja, muito sagaz. 😀

Mas eu não queria trocar 6 por meia dúzia e o meu sistema era meio embaçado porque parecia ter elementos arbitrários. Eu testei tudo manualmente porque não sabia programar. Por isso, se os resultados fossem semelhantes, talvez eu pudesse operar um sistema de MMSs, “mais simples”. Aí, eu decidi criar esse sistema.

Porém, tem um detalhe.

Os resultados dos backtests que fiz no Excel foram bons. mas não adianta você ver os resultados assim e esperar que consiga seguir seu sistema como um robô cego. Você precisa ver como o sistema funciona. Por isso, plotei novamente as MMS na ação PETR4 e me deparei com um terrível problema que complicou toda a situação, psicologicamente.

Como vocês podem ver no gráfico abaixo, o sistema indica uma compra (seta azul) antes de uma forte resistência (linha verde). As médias móveis “queriam” que eu comprasse na pior hora possível. Nesse momento a ação gritaria para um trend-follower:

“Não me compre agore! Espere que matem a resistência! Entre apenas na Área Segura!”

…e para os counter-trend traders:

“Me venda à descoberto!”

Seta Azul: Entrada da MMS. Linha Verde: Resistência Idiota

Tudo bem, esse era apenas um teste, mas o que eu teria feito se fosse para valer? Seguiria meu sistema mesmo sentindo o máximo de desconforto ou teria ignorado minhas próprias regras e esperado que a resistência fosse rompida, o que também causaria desconforto?

As duas “soluções” são ruins. Por um lado você faz algo sem sentido e por outro, dá uma de n00b e joga sua metodologia válida no lixo.

Eu teria ignorado meu sistema e esperado um sinal mais “racional” de entrada. Me sentiria péssimo nos dois casos mas pelo menos o “erro” teria sido o de apenas esperar um pouco, o que não é tão ruim assim. Mas como é melhor prevenir do que remediar, devemos fazer isso de duas maneiras.

A primeira seria incluir exceções no seu sistema.

Regras que quebrem outras regras no caso de X acontecer. É uma solução válida porém a coisa pode se complicar demaaaais. Um sistema originalmente simples com adaptações assim é mais difícil de ser testado e nem sempre funciona 100%. Ou seja, você terá muito mais trabalho e talvez os sinais estranhos continuem aparecendo.

Mas eu não quero sinais estranhos ou me sentir engraçado ao iniciar um trade. E muito menos, não quero ignorar minhas regras! Se elas não fizerem sentido para mim, eu quero outras, que sejam boas e que gerem resultados satisfatórios.

Por isso a solução encontrada, a segunda, foi: eu continuaria com meu sistema antigo.

Nada de exceções ou de médias móveis simples para mim, elas são complicadas demais. 😛

É Super Importante “Testar” Um Sistema no Olho!

O que aconteceria se eu não tivesse feito o backtest olhométrico (manual) antes de operar?

Se tentasse usá-lo sem ter analisado cuidadosamente os trades antes, um a um?

Coisas muito ruins poderiam ter acontecido.

Mesmo conhecendo os resultados prováveis dos backtests mecânicos, nunca saberia que tipo de “problemas” ele poderia gerar. Eu não estaria completamente preparado.

E é impressionante a quantidade de traders que cometem esse erro. Eles apenas confiam nos resultados e acreditam que serão capazes de seguirem esses sistemas faça chuva ou faça sol. Os caras fazem os testes com algum software mas não os “olham” depois. Por isso, às vezes, podem acabar com um sistema frustrante de ser operado e que poderia, pelo menos, ser otimizado com exceções.

Então a minha sugestão é:

Se você tem um sistema testado mecanicamente que na teoria funciona, não seja um banana. Dê uma olhada nas operações que o sistema gerou nos testes, uma por uma. É possível que você se depare com trades dos quais você nunca se sentiria confortável em fazer justamente porque eles não combinam com o seu estilo. Pra variar, uma outra questão de gosto, ignorada por quase todos!

Questão de gosto…

Mas da mesma forma na qual eu não gosto das médias móveis porque elas geram sinais estranhos pra mim, você pode odiar meu sistema de rompimentos de suportes e resistências com stop ATR. O que serve para mim poderá ser horrivelmente péssimo para você e vice-versa. Só que você nunca terá como descobrir isso se fizer seus backtests apenas mecanicamente.

Então sim!

Vale muito a pena analisar os trades de uma maneira manual.

Olhe os gráficos ou números e faça anotações com o que você pensa e sente em cada trade. Ao fazer isso, você começará a pegar o “feeling” do sistema e ter esse “feeling” é vital!

Vai que você cria um sistema fantástico e decide operá-lo. Só que a cada trade feito, você se sente cada vez mais desconfortável. Em pouco tempo sua confiança diminuirá pois, como disse no post de ontem, você estará operando um sistema morango quando sua praia é chocolate!

Resumo: faça o backtest mecânico do seu sistema e então, analise trade por trade para descobrir se ele é psicologicamente “operável” por você. Se não for, inclua exceções ou crie outro sistema que apresente resultados semelhantes mas seja compatível com os seus gostos.

Se você não entendeu alguma coisa (ou nada), deixe sua dúvida aqui. 😀



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9 Comentários Você Sabia Que Backtests São Inúteis Sem o Teste do Olhômetro?

  1. Gaspar

    Eu estou curtindo as médias embora tenha uma simpatia grande por padrões gráficos ;p

    Esse é o setup mais simples que já vi com médias, na verdade com uma média só pra ser mais exato.

    O cara com quem eu aprendi esse setup, diz ser um setup do Larry Willians! Sim, o Senhor “eu faço 11k% no ano e você não :p”

    Material necessário: média móvel exponencial de 9 períodos + candles

    Setup MME9 “O seguidor de tendências!”(inventei essa parte tá)

    1) Procurar algum papel que a MM9 esteja apontando para baixo;
    2) Aguardar que a MM9 vire para cima;
    3) Marcar a máxima do candle que fez a MME9 virar;
    4) Efetuar a compra assim que for feito qualquer negócio acima do valor dessa máxima;
    5) O Stop Loss fica abaixo da mínima do candle que fez a MME9 virar.

    Pra operar na ponta de venda é só fazer a mesma coisa só que tudo ao contrário. Simples.

    E o pior é que funciona :/ back test it

    Da uma analisada nele ai Hugão, é bem legal no 60min.

    Abraço

    Responder
    1. Hugo

      Tem um cara com uma grande antipatia pelos padrões gráficos. Um tal de Larry Williams! Pelo menos é o que ele fala no começo do Long Term Secrets to Short Term Trading. Vou escrever um post sobre esse assunto assim que terminar de ler o livro.

      De qualquer forma, dei uma olhada rápida nessa setup e ela me parece ser interessante.

      Agora, só que tem uma coisa. Você diz que o stop loss fica abaixo da mínima do candle (ou risquinhos, tanto faz) que fez a MME9 virar, mas e se o trade funcionar? Você vai sair da operação quando? Se o trade terminar quando o candle mudar a direção da MME, aí tudo bem. Estará sempre vendido ou comprado. Então, vale colocar um 6) aí nessa lista 😛

      Pra terminar, vou dar uma estudada melhor nessa setup. Vai que eu mudo minha opinião sobre as MMs…

      Abraço,
      Hugo

      Responder
  2. Gaspar

    Antipático esse Larry Willians viu ¬¬ hehe

    Bem na verdade olha o 6) aqui XD

    6) Objetivos de Venda: Realização Parcial: Position: 8% / Swing Trade: 3,5% / Daytrade: 1% – Efetividade: 78%. Vender a posição remanescente quando for feito qualquer negócio abaixo da mínima do canlde que fizer a MM9 virar outra vez.

    Falta de atenção minha, mas você acabou intuindo o modo de sair.

    Me foi passado esse modelo, mas tem mais uns detalhes . . . vou te passar por email — se quiser claro 😉

    Abração

    Responder
    1. Hugo

      Sou meio “alérgico” às realizações parciais por assim dizer. Eu prefiro aumentar minha posição enquanto o trade está funcionando. Entradas parciais sim, mas saídas… não é a minha praia.

      Mas conhecimento nunca é demais. Qualquer coisa que você ache realmente interessante e quiser me passar, passe, não precisa nem perguntar.

      Abraço,
      Hugo

      Responder
  3. Paulo

    Hugo,
    eu até gosto das médias móveis. Acho elas importantes não para dar um ponto de entrada, o preço de compra, mas sim para mostrar o panorama geral de uma determinada ação ou futuro. Se ela vem subindo então o consenso é de alta, se vem caindo é de baixa, se nem um nem outro então o consenso é de lado. rs
    Simples assim… acabo usando as MM’s apenas como setup para decidir por um sistema ou por outro.

    Elas podem até estar dentro do sistema, mas em geral não estão.

    Agora gostaria de aproveitar o post para pegar o gancho e falar de livros. Estou terminando o “Trade Your Way to Financial Freedom” do Tharp (que é animal e comprei após ler opinião aqui no Senhor Mercado) e curti a abordagem dele pois gosto de sistemas mecânicos, que eu mesmo desenvolvo e testo. Nesse sentido, será que o “Mechanical Trading Systems” do Richard Weissman, citado por você acima, será o meu caminho natural?
    Tem alguma indicação?

    obrigado,
    Paulo

    Responder
    1. Hugo

      Oi Paulo!

      O Paul Tudor Jones sugere fazer o que você falou. Usar uma média móvel para determinar qual é a direção do mercado. Ele fala sobre uma média móvel de 200 períodos para isso. Apenas não sei se ele se refere à uma simples, exponencial ou sei lá mais qual. Deve ser a simples mesmo 😛

      Esse livro, o Mechanical Trading Systems é interessante, mas nada de especial. Eu posso resumí-lo todo agora para você:

      1 – Sistemas mecânicos de trading são melhores do que os arbitrários para iniciantes porque são mais fáceis de serem operados.
      2 – Quanto mais idiotamente simples um sistema, mas robusto ele é e mais resultados positivos ele tenderá a apresentar.
      3 – Um MACD (13,26,9) funciona melhor do que as médias móveis de 26 e 9 e qualquer coisa mais complicada do que isso é furada.

      BTW, te mandei um e-mail.

      Abraço,
      Hugo

      Responder
    1. Hugo

      Aap,

      Backtest livre? Gratuitos você quer dizer? Se for, sinto muito mas os que eu conheço não servem para nada. Tem outros que não consegui nem compilar, ou seja, não serviria para você de qualquer forma. Porém, existem os MetaStock, AmiBroker e TradeSim da vida que são muito bons, mas todos pagos, apesar de que o AmiBroker parece ter uma free trial.

      De qualquer forma, vou te mandar um e-mail.

      Abraço,
      Hugo

      Responder

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