Você Sabia Que Existe Um “Lado Negro” Para Quem Vive da Bolsa?

Foi um suicídio.

Mirou a arma na orelha.

BANG!

E caiu com violência no chão, morto.

Em sua nota de despedida, Jesse Livermore mencionou várias vezes que era um perdedor e não merecia o amor de sua mulher.

Um final trágico para um grande trader.

Agora, apesar de não estar em um dos seus melhores momentos, me chama a atenção que alguém que ganhou milhões e inspira milhares de traders até hoje se considere um perdedor.

Irresponsável?

Sim.

Emocional?

Sim.

Idiota?

Sim.

Mas um fracassado que não merece ser amado?

Será que ele não exagerou um pouco?

Ou será que ele tinha razão?

Sim, ele tinha razão.

Em parte.

A verdade é que no momento de sua morte, Jesse Livermore era sim um fracassado pois ele fracassou em proteger o seu bem mais precioso.

E não estou falando de sua vida.

Sem esse bem precioso, um trader se destrói aos pouquinhos ou foge dos mercados mesmo após ter muito sucesso.

Sem ele, ou o trader se acaba ou a carreira do trader acaba.

E não novamente, não existe meio termo.

Esse, meus amigos, um problema extremamente sério, é o que eu gosto de chamar de o lado negro do “viver da bolsa de valores”.

Nesse post vou falar um pouquinho sobre ele.

Here we go…

🙂

Escolha a Sua Droga, Mas Escolha Logo

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Fama.

Poder.

Dinheiro.

Descobertas.

Reconhecimento.

Todas as pessoas minimamente vivas e ambiciosas precisam de um “fix”.

O termo “fix” é usado para se referir a qualquer “barato” causado por uma droga como a cocaína ou o crack e aqui será usado com o mesmo sentido da palavra “satisfação”, principalmente a profissional.

E acredite, todos precisamos de satisfação.

Não apenas a satisfação por si só mas também, a busca por ela, pelo “fix”, um barato para alegrar a vida e fazer com que tudo valha a pena.

Exemplo…

  • Abre uma empresa.
  • Contrata os funcionários.
  • Acompanha o seu crescimento.
  • A vende por milhões de dólares.
  • Fix!

Mais um…

  • Estuda investimentos.
  • Abre uma conta na corretora.
  • Desenvolve um sistema de trading.
  • Compra e vende ações na bolsa de valores.
  • Ganha dinheiro.
  • Fix!

Note como as pessoas mais bem-sucedidas sentem um desejo incontrolável por algum “fix” enquanto as pessoas mais comuns sentem menos e você entenderá a importância de um “vício saudável” não só pelo bem do indivíduo, mas também pelo bem da humanidade.

Diria também que a busca pelos “fixes” é vital para a evolução humana.

  • Se o engenheiro inventou o carro, foi porque ele quis o “fix” de ver se ele conseguia construir algo novo e diferente ou quis testar as suas habilidades.
  • Se o esportista bateu recordes, foi porque ele quis o “fix” da sensação de bater um recorde ou, mais humildemente, superar os seus próprios limites.
  • Se o empreendedor se tornou um bilionário, foi porque ele quis o “fix” de ganhar dinheiro ou trabalhar no que ele gostava o levou naturalmente à riqueza.

Todos somos viciados em algum “fix” e sem esse vício, seriamos todos platelmintos.

Essa característica é tão prevalente na raça humana que quando perdemos nossos vícios, em pouco tempo entramos em um profundo estado de inquietude e tédio que nos leva a procurar algo diferente para fazer ou então, nos leva de volta ao vício original.

Por exemplo…

  • Se um empresário vender a sua empresa para o Facebook, ele vai ganhar muito dinheiro mas ficará sem o “fix” de ver a sua empresa crescer a cada dia mais. Como ele não terá a capacidade de ficar olhando para o teto sem fazer nada para sempre, ele dará um jeito de encontrar um novo “fix” que trará um novo tipo de satisfação a sua vida, nem que seja algo bobo como jogar golfe.
  • Se um piloto de corrida se aposentar, ele provavelmente poderá relaxar pois toda a sua vida estará feita pela frente, financeiramente falando. Mas como ele também não terá a capacidade de ficar sem fazer nada, ele vai correr atrás de um “fix” que empate o das corridas ou simplesmente vai desistir da aposentadoria e voltará a correr, nem que seja numa categoria pior.

Isso tudo é bom.

O indivíduo ganha e a sociedade ganha.

O problema é que algumas profissões geram fixes bons e outras, nem tanto…

Pobre Trader Desocupado

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Para uma pessoa estar completamente satisfeita profissionalmente, a busca pelo “fix” e o “fix” em si precisam ser longos e intensos.

Ou seja, se você acorda cedo, trabalha o dia todo feito um cachorro em algo que você adora e chega em casa morto, não importa que você esteja tentando fazer uma descoberta científica ou vender carros porque você estará satisfeito nos dias bons e ainda terá ânimo para aguentar os dias ruins.

Só que por outro lado, se o seu “fix” não for grande coisa e a busca por ele passar rapidamente, você nunca estará satisfeito e sempre precisará correr atrás de outras atividades.

E é aqui que a coisa toda explode para quem pode trabalhar quase nada.

Pessoas como position traders.

Entenda…

  • A satisfação do trader com o trabalho é nula porque um “fix” de 20 minutos diários (no máximo) não dá para nada, você continua querendo trabalhar mas não há trabalho a ser feito.
  • Você sente a vontade de trabalhar 10 vezes mais e ganhar 10 vezes mais só que como o overtrading só te faz perder dinheiro, não adianta insistir porque você sabe que é burrice.
  • Seria o máximo aprender coisas novas sobre os mercados mas eles nunca mudam porque a natureza humana nunca muda, consequentemente, nunca tem nada de novo para aprender.
  • O excesso de tempo livre faz com que você procure hobbies diversos mas como você está com fome de trabalho, nenhum deles acaba sendo proveitoso porque você gostaria de estar trabalhando.

Não se engane, aprender a operar e a viver da bolsa é extremamente satisfatório e o “fix” gerado é enorme, mas depois que a coisa dá certo, toda a graça desaparece.

Afinal…

  • O puzzle já era, foi resolvido.
  • O backtest já era, virou um sistema.
  • O sistema gera bons lucros.
  • Os lucros te mantém.

É claro que existem os momentos ruins com drawndowns e afins, mas de modo geral, o trader supera essas dificuldades sem problemas e fica com o dia todo livre para se perguntar:

“E agora?”

“O que eu faço da vida?”

Boa pergunta!

A verdade é que uma grande parcela dos leitores sonha em viver da bolsa mas nunca parou para pensar no que fazer depois de atingir a sustentabilidade nos mercados. Eles acham que sabem o que vão fazer, mas não sabem realmente como será pois nunca estiveram lá e por isso, possuem expectativas erradas.

Alguns sonham com a bolsa porque querem largar o emprego e ficar em casa com a família, eles odeiam trabalhar e querem tempo livre. O problema é que eles ignoram que ficar em casa o tempo todo provavelmente irá deixá-los entediados em pouquíssimo tempo.

Outros querem se aposentar para ficar curtindo com os amigos, nem que seja para tomar uma cervejinha no bar ou jogar videogame o dia todo. O problema é que eles esquecem que esses amigos não são escravos pessoais que podem largar o emprego em dois palitos e ir com você pra Bolívia só porque “eu resolvi ver se o lugar é tão pobre como dizem, você vem comigo, 15 minutos, go go bitch!”

Ou seja, você acha que a bolsa vai te deixar feliz mas quando você chega lá, percebe que está completamente sozinho no seu estilo de vida e desesperadoramente entediado.

Pior!

Se antes da bolsa você tinha o mundo todo de opções para decidir o que fazer e já era difícil tomar uma decisão, quando você REALMENTE tem todo o mundo de opções para decidir, a coisa consegue ficar ainda mais difícil.

E no meio tempo sua mente apenas gira…

  • Você quer operar mais mas sabe que só tende a perder dinheiro.
  • Você está sozinho e não tem ninguém para se comunicar.
  • Você está entendiado e tem o dia todo livre.

O que você resolve fazer?

Você resolve fugir.

Você viaja.

Uma Só de Ida, Por Favor!

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Você escolhe algum lugar interessante e vai.

Se quiser ficar o dia todo comendo coisas estranhas, tudo bem.

Se quiser aprender japonês, tudo bem também.

Você não ficará mais entediado.

Você terá o que fazer.

“Au revoir, tédio!”

Interessante?

Sim.

Viável?

Não muito.

Por diversos motivos, muitos traders querem viver da bolsa especificamente para viajar sem saber que essa é uma ideia terrível!

Sim, algumas pessoas super extrovertidas e super abertas a novas experiências podem adorar, mas nerds metódicos e organizados que seguem sistemas de trading e preferem ficar em casa com alguns amigos jogando videogame ao invés de sair tendem a não aguentar muito tempo.

É difícil saber sem experimentar mas de modo geral…

  • Tudo o que você fazia de forma automática e fácil, como tomar banho, se complica pois a cada lugar novo o banheiro muda, o seu modo de tomar banho varia e você leva alguns dias até se acostumar… mas aí já é hora de ir pra outro lugar.
  • Se você adorava comer as mesmas coisas o tempo todo, em uma viagem você será obrigado a escolher coisas diferentes apesar das antigas serem boas, bonitas e baratas porque você simplesmente não vai encontrá-las por aí.
  • Um picolé vai te custar 16 reais… oops, não, pesos uruguaios, você precisa converter de UYU para BRL usando as taxas de câmbio locais para saber o preço. Se for no crédito, precisa converter de UYU para USD e de USD para BRL usando uma taxa estimada do cartão e calcular o IOF da compra para chegar não no valor exato, mas num aproximado.
  • Os locais vão falar coisas que você não vai chegar nem perto de entender, o que fará com que o simples ato de pegar um ônibus se torne uma aventura, não uma divertida e emocionante (só no começo), mas uma chata e frustrante.
  • Vistos, imigração, taxas, subornos, doenças, “você é branco então você é rico então eu posso te passar a perna e você nem vai perceber porque você não entende a minha língua” etc.

Super divertido uh?

Não, não é.

Fix!

Eepaaaa?!

O que foi isso?!

Será que todo esse sofrimento e frustração geram um certo “fix” pois lembram um trabalho? Será que é por isso que tantos “digital nomads” viajam por um tempo, ficam entediados, voltam pra casa e depois voltam a viajar mesmo sem gostar num ciclo infinito?

É claro que sim!

É por isso também que vários outros adquirem hobbies sem sentido como colecionar bandeiras (visitar todos os países do mundo), colecionar “bandeiras” (é, hmm, como eu posso dizer… uma mulher de cada país) ou se entregam a estilos de vida ainda mais hedonistas.

Com certeza alguns possuem graves problemas psicológicos e fariam isso mesmo com um trabalho mais produtivo, só que a maioria está apenas correndo atrás de um “fix”, um propósito, uma sensação de avanço que as profissões de 20 minutos não conseguem gerar!

E adivinha o que acontece com quem fica sem ou sem um bom “fix” por muito tempo?

Ora, pergunte ao Livermore…

Doce Gosto de Sangue e Metal

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Não me entenda mal.

O mané do Livermore não se matou por tédio mas sim, porque ele tinha graves problemas de saúde mental e na família, no amor, na justiça, na carreira, em qualquer aspecto que você possa imaginar e de um modo geral, a sua vida deixava demais a desejar.

A única coisa que o mantinha de pé era o seu “fix”.

Apesar do “fix” do position trader na bolsa ser fraco, Livermore o “bombou” ao trabalhar de uma maneira ineficiente, fazendo anotações enigmáticas e assistindo o book de ofertas todos os dias.

Ele o fazia pois AMAVA os mercados.

Aposto que nos maus momentos ele pensava:

“Tá tudo ruim mas pelo menos eu tenho o trading, né?”

Sim, ele tinha o “fix” e com isso, a vida, só que aí ele perdeu o “fix”.

Após a crise de 29, a SEC mudou as regras da bolsa, fazendo com que o coitado do Livermore perdesse o seu edge, em outras palavras, o sistema de trading dele parou de funcionar corretamente.

O que mantinha a vida dele mais ou menos nos eixos foi pro saco.

E olha que ele não se matou, ele tentou uma solução.

Adivinha o que ele tentou?

  • Drogas?
  • Mulheres?
  • Dirigir rápido?
  • Escrever um livro?
  • “Quiero papas y coca”?

Não, ele não foi para o Uruguay.

Ele resolveu escrever um livro sobre a bolsa, o minimalista e fantástico-apesar-do-último-capítulo-ser-completamente-zoado-de-se-entender, “How to Trade in Stocks”.

Ah, sim!

Depois ele se matou.

Taí o “fix”, não precisar mais de um.

Boa solução?

Nope.

Logo, considerando que o tédio e a falta de um “fix” produtivo o possam levar, depois de muitos e muitos anos, a um momento em sua vida em que você apenas queira meter uma bala na sua cabeça e sangrar até a morte, faz sentido procurar…

Uma Solução Mais Elegante

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Conheçam Richard Branson.

O criador do império da Virgin, conglomerado de empresas que atuam na música, nas viagens espaciais e em tudo que você possa imaginar entre essas duas coisas, teve uma ideia melhor.

Ele entendeu que ser bem sucedido não é ficar em casa entediado apertando F5 no UOL para saber o que aconteceu com aquela porra daquele avião ou sair viajando e criando stress desnecessário para mascarar o seu tédio e frustração profissional devido a um “fix” insuficiente.

Ele entendeu que é preciso existir um equilíbrio entre trabalho e diversão e sem esse equilíbrio você não consegue aproveitar nenhuma das duas coisas.

Em outras palavras…

  • “All work and no play makes Jack a dull boy!”
  • “All play and no work makes Jack want to kill himself!”

E se a bolsa de valores não tem como te dar esse equilíbrio pois a falta de trabalho não te deixa aproveitar a graça teórica do tempo livre e o único problema é apenas essa desesperadora e deprimente falta de trabalho, então a solução é simples!

Você deve ver a bolsa como uma das coisas que você faz!

Você a vê só como mais uma fonte de renda!

Apenas a sua primeira “empresa”!

Sim, apenas a primeira.

Afinal, qual é o caminho natural de quem já tem uma empresa que funciona quase sozinha?

É fazer exatamente como o Richard Branson e criar uma outra empresa, na mesma área, em outra área se você quiser um “fix” melhor, nas duas áreas, em várias, empresas diferentes e setores diferentes, “fixes” distintos e duradouros.

É sonhar mais alto porque você sabe bem no fundo que com todas as oportunidades, acesso a informação e a massiva ajuda não da profissão, mas da ferramenta “viver da bolsa”, os limitem desaparecem, aumentando a sua capacidade de ir mais longe.

Sim, o “viver da bolsa” não pode ser visto como uma profissão pois ela te destrói.

Porém, como ferramenta ela pode ser usada para construir.

E aí você arregaça as mangas e cria negócios.

Pequenininhos no começo.

Grandes depois.

Também, você não quer ser um mísero trader que se contenta em ficar mofando no sofá só porque “não há nada mais a se fazer” ou um patético empresário que apenas quer “uma vida mais confortável” e espera uma aposentadoria tediosa na qual você possa tranquilamente contar os dias até a sua morte.

Isso é inaceitável pois você sabe que há tempo para fazer e se tornar algo melhor:

  • Um líder.
  • Um realizador.
  • Um criador de impérios!

…e a bolsa?

Ela é apenas o primeiro tijolo na construção do seu…

😉



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63 Comentários Você Sabia Que Existe Um “Lado Negro” Para Quem Vive da Bolsa?

  1. Olivia Suguri

    Eu não costumo deixar comentários nos blogs mas esse não dá pra passar batido. Tem muitas partes geniais que vou imprimir e colar na parede (designer faz isso :p)
    Esse blog tá pegando Mark Manson e esfolando a cara dele no chão

    p.s.: “O problema é que eles esquecem que esses amigos não são escravos pessoais que podem largar o emprego em dois palitos e ir com você pra Bolívia só porque “eu resolvi ver se o lugar é tão pobre como dizem, você vem comigo, 15 minutos, go go bitch!””
    Nunca tive amigo trader, mas já ouvi isso algumas vezes…

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