Quem é Jorge Paulo Lemann e Como Ele Construiu Sua Fortuna?

Esse é o nosso terceiro artigo falando sobre grandes figuras do mundo dos investimentos. Já falamos sobre Soros, e Warren Buffett. Nesse artigo vamos falar um pouco mais sobre Jorge Paulo Lemann.

Lemann, para aqueles que não sabem, é um dos sócios da Ambev, Lojas Americanas, e até do Burger King e da Budweiser! O artigo está dividido nas seguintes partes:

1 – Infância e juventude de Lemann

Se Buffett nasceu nos Estados Unidos, e Soros nasceu na Hungria, Lemann nasceu no Rio de Janeiro, e viveu boa parte da infância lá mesmo.

Uma das atividades que Lemann mais gostava era de surfar e jogar Tênis. Gostava tanto de jogar Tênis, que chegou a estar classificado no Ranking Mundial.

Sua vida até aquele momento parecia bem interessante para um jovem da época. Depois de concluir o colégio, ele foi para a faculdade. A família de Lemann se esforçou para conseguir enviar o filho para Harvard.

De acordo com a bibliografia de Lemann, o livro O Grande Sonho, na época em que ele ingressou em Harvard, as coisas eram um pouco mais fáceis comparadas a hoje.

Talvez por isso, ele conseguiu entrar na universidade e fazer o seu curso. Ainda sobre a sua juventude, Lemann explica que mesmo estando em Harvard ele ainda gostava muito do Brasil, principalmente da pratica de esportes.

Entre eles, o Tênis e o Surf. Existe uma passagem no livro, onde ele cita sua experiência com o risco. Uma das primeiras experiência que Lemann se lembra bem, é surfando.

Houve um dia, no Rio de janeiro, onde ele estava com os seus amigos, e todos queriam surfar, porém o mar estava agitado. Não era prudente pegar alguma daquelas ondas.

Porém as ondas estavam boas para o surf, e Lemann observando aquilo, acabou tomando o risco e foi tentar surfar. No final das contas, ele conseguiu surfar a onda. Ao menos ele descreve que teve uma das experiências mais surpreendentes de sua vida. Se não tivesse tomado aquele risco, talvez passasse a vida toda sem experimentar tal sensação. Coisa que ele acaba comparando com as oportunidades que são apresentadas a nós durante a vida.

Querendo ou não, se você não arriscar, nunca vai conseguir saborear o gosto da vitória por exemplo. Vamos supor que o leitor tenha investido em ações de boas empresas lá em 2015 (assim eu espero), hoje é bem provável que o investidor esteja colhendo os frutos de seus investimentos.

Não precisa nem ser ações, podemos falar do próprio Tesouro IPCA. Comprando as letras do Tesouro IPCA com vencimento para 2050, é bem provável que hoje, as mesmas estivessem rendendo um bom ganho. Sem falar da taxa praticada na época. É bem provável que os investidores na época, tenham comprado papeis pagando mais do que 7% de juro mais IPCA!

Caso o leitor não tenha aplicado nesse período, ou você que estava investindo, perdeu essa oportunidade de aplicar dinheiro em produtos financeiros que poderiam se beneficiar da redução do juro, agora, é bem provável que um sentimento de arrependimento esteja surgindo.

Não existe certo ou errado nessa situação, simplesmente, uma oportunidade acabou passando. Pode ficar tranquilo! Futuramente novas oportunidades irão aparecer. O mercado é assim, vira e mexe temos algo de novo para aproveitar.

Isso que é o bom do mercado. Oportunidades aparecem quase todos os dias. Se o investidor compreender, e ficar ligado na bolsa e demais mercados, pode identificar boas oportunidades de investimento constantemente.

Mas é isso, ai! Vamos voltar a historia de Lemann!

2 – Estudando em Harvard

Como havia mencionado, Lemann adorava o Brasil, mais precisamente a praia! O Tênis ele já estava deixando de lado, uma vez que ele não via muito futuro.

O próprio Lemann falava que se ele não poderia competir para ser o melhor, então ele não queria mais continuar. Em Harvard, Lemann estava conseguindo progredir sem grandes dificuldades, o problema era que ele não estava gostando muito de lá.

Lemann chega a mencionar que ele não estava dando muita atenção aos estudos, Ou que simplesmente não dava valor à faculdade. Em um desses semestres, Lemann resolveu aprontar uma no campus da faculdade, estourando fogos no pátio de Harvard.

Os fogos foram estourados no final do ano letivo, pouco tempo antes de Lemann voltar para o Brasil. Depois, ao chegar ao Brasil Lemann recebeu uma carta da diretoria de Harvard, comentando o ocorrido.

Na carta, a diretoria de Harvard expressava a preocupação com o aluno, questionando se não seria melhor, Lemann permanecer um ano fora de Harvard, para amadurecer um pouco mais e melhorar o comportamento.

Lemann não estava muito a fim de continuar o curso, e estava mais preocupado em começar a trabalhar. Encarar a vida real! Mas os pais de Lemann queriam muito que ele continuasse e se graduasse em Harvard.

Não é por menos, uma das Universidades mais prestigiadas no mundo, você não gostaria de ver seu filho desistindo, ainda mais quando ele já está lá cursando. Observando isso, Lemann decidiu se dedicar ao curso.

Lemann colocou um objetivo: terminar os 3 anos em 2! E foi isso que aconteceu. Durante esses dois anos, Lemann acabou desenvolvendo uma técnica para conseguir se sair bem em Harvard.

Ao analisar as provas que os professores aplicavam, ele detectou que as provas eram similares às provas que ficavam na biblioteca da universidade.

Sendo assim, ele poderia pegar as provas anteriores, e estudar para conseguir se sair bem. Foi exatamente isso que aconteceu. As provas que foram acontecendo eram bem similares e Lemann conseguiu passar e se graduar na universidade. Sem falar que figurou entre os melhores alunos de Harvard na época!

Atualmente, Lemann diz que não se beneficiou de todo o potencial que Harvard oferece. Mesmo na época, havia professores que eram prêmio Nobel, entre outras grandes mentes.

Enfim, com o diploma na mão, Lemann não via hora de começar a trabalhar e dar início a sua fortuna!

3 – Primeiro Trabalho

O seu primeiro trabalho não foi no Brasil! Mas sim na Suíça, onde ele conseguiu uma vaga junto ao banco de investimento Credit Suisse.

Provavelmente o leitor já deve ter ouvido falar a respeito desse banco suíço. Uma das maiores instituições financeiras do mundo, o Credit Suisse possuía, na época, uma rígida linha de regras, que acabava burocratizando boa parte de suas operações, coisa que Lemann não curtiu muito.

Observando tudo aquilo, ele acabou saindo do banco, e voltando ao Brasil. Chegando em terra tupiniquins, Lemann se tornou sócio da uma empresa chamada Ivesco.

A Ivesco desenvolvia serviços voltados a uma bolsa “paralela”. Os negócios pareciam estar indo muito bem. Cada vez mais dinheiro parecia circular pela instituição, e a mesma ainda conseguia efetuar muitos empréstimos.

Porém não havia controles na empresa. Principalmente com relação ao fluxo da capital. Ou seja, havia mais dinheiro saindo da companhia do que propriamente entrando.

Talvez esse fluxo de dinheiro, não despertou a atenção dos sócios da instituição, fato que acabou levando a mesma a falência. Na verdade a Ivesco acabou sendo comprada por um banco.

Com isso, a pequena participação que Lemann tinha dentro da instituição virou pó, e ele teve que correr atrás de um novo negócio.

4 – Criação da Corretora/Banco Garantia

Antes de virar banco, o Garantia era uma corretora, mas ainda antes disso, precisamos falar como aconteceu o Garantia. Depois de ver a Ivesco ir embora, Lemann acabou sendo atraído para um novo negócio.

Lemann recebeu participação de 13% para trabalhar na firma Libra. Os negócios na firma andavam muito bem, mas Lemann não enxergava mais oportunidades de crescer dentro da mesma.

Observando isso, ele acabou realizando uma oferta aos outros sócios da instituição, para eles venderem a participação. Porém ele acabou escutando uma contraproposta.

No final das contas Lemann acabou vendendo sua participação na firma Libra. Ele estava com 31 anos, e uma quantia bem interessante para época, 200 mil dólares.

Então depois disso tudo, enfim, Lemann conseguiu abrir a corretora Garantia. Nessa empresa, Lemann teria mais liberdade para poder colocar em prática todas as suas ideias a respeito de meritocracia, por exemplo.

5 – Ideais do Banco Garantia

Podemos citar como um dos principais lemas do Garantia era à meritocracia. A meritocracia é uma forma de beneficiar os profissionais que mais se dedicam e se esforçam dentro da companhia.

Em outras palavras os funcionários acabam recebendo um salário menor, porém suas bonificações e prêmios acabam compensando todo o trabalho. Mas nem toda empresa trabalha com esse modelo de pagamento (ou recompensa), por exemplo.

Talvez na empresa do leitor não seja empregado à meritocracia. Para conseguir isso, tanto a empresa quanto os funcionários vão precisar se adequar a uma nova ideia de evolução.

 

Exigir que o funcionário trabalhasse mais e se aplique, recebendo um salário menor e bonificações somente depois de apurar os lucros, pode acabar desanimando o próprio.

Por outro lado, se a empresa já vem empregando tal política fica mais fácil de conseguir inserir as ideias sobre a meritocracia junto aos funcionários.

Se o leitor for parar para ver como a grande parte das empresas faz para recompensar seus funcionários, geralmente, os diretores, e sócios, acabam levando em consideração o tempo de firma que a pessoa possui.

Em outras palavras, é somente repassado aos funcionários, um reajuste salarial de acordo com a função realizada dentro da companhia.

Averiguar desempenho relativo a receitas, ou outros tipos de performances não são muito utilizados. Coisa que acaba trazendo um pouco de marasmo aos negócios da firma.

A meritocracia defendida por Lemann vem para dar mais agressividade aos negócios, e assim, conseguir aumentar os resultados da firma, bonificando os funcionários que mais se esforçam e conseguem alcançar os resultados positivos.

Ainda dentro dessa estratégia de meritocracia, Lemann não oferecia somente bonificações e distribuições de lucros, mas também, participação societária a alguns desses funcionários.

Até o final do Garantia, diversos funcionários ganharam participação na empresa de Lemann. Dentre ele podemos citar Beto Sicupira e Marcel Telles, que até hoje são amigos, e inclusive sócios de empresas, como é o caso da 3G Capital e a Ambev.

Resumindo: A política dentro da empresa era bem “liberal” se podemos definir assim. O importante era cada um alcançar suas metas, e conseguir exercer da melhor maneira o seu trabalho.

Dessa maneira, só entrava gente boa na empresa. Profissionais com fome de dinheiro, que se esforçavam ao máximo para conseguir alcançar os objetivos e metas pré-definidas.

As entrevistas para entrar no Garantia também eram pouco formais. Desde questionamentos constrangedores, até testes bem extravagantes. Os sócios da empresa conseguiam contratar bons funcionários, que almejavam crescer na empresa, do mesmo jeito que os sócios gostariam de ver a companhia crescer.

Essa era a chave do negócio. Ter funcionários que visse a empresa, não como “trabalho”, mas sim como o próprio negócio. Diz-me uma coisa leitor, se você tivesse uma companhia, você não trabalharia nela, simplesmente, por trabalhar, esperando ganhar aquele pró labore no final do mês, ou ia?

Ainda mais, quando os funcionários recebiam distribuições de lucros, tendo uma participação real sobre os resultados da empresa, o negocio ficava ainda melhor.

Eles podiam notar, realmente, que o trabalho estava surtindo efeito, e que todos podiam ganhar mais dinheiro assim. Depois conquistando mais experiência, e evoluindo ainda mais, poderia haver o convite para entrar no quadro societário da companhia, e passar definitivamente a ser sócio.

Só para se ter uma ideia, algumas personalidades do mundo econômico e financeiro passaram pelo Garantia, dentre eles podemos citar Armínio Fraga!

Isso mesmo caro leitor, se você já leu sobre ele no artigo de Soros, antes de ir aos Estados Unidos para trabalhar com Soros, Fraga trabalhou durante um bom tempo no Garantia.

Definitivamente, o Garantia foi uma forma de aplicar todas as ideias que Lemann tinha sobre meritocracia, juntando bons profissionais, com fome de dinheiro, para conseguir alcançar o sucesso e a prosperidade.

6 – Primeira aquisição, Lojas Americanas

Com o passar dos anos, Lemann e o Garantia, foram ganhando forma, aumentado de tamanho, até um ponto, onde Lemann tinha que escolher investimentos maiores do que os tradicionais.

Nesse momento, ele teve que começar a olhar para aquisições e empresas. Uma desses alvos era a Lojas Americanas.

A empresa possuía um bom valor patrimonial, porém estava sendo negociada abaixo do preço. Fato que auxiliou na tomada de decisão para aquisição do business.

A compra da empresa foi feita através da compra de ações que estavam sendo negociadas no mercado. Depois Lemann e seus sócios tiveram que correr atrás dos grandes investidores. Dentre eles estava o dono do banco Itaú, que acabou facilitando o negócio e vendendo sua participação para Lemann.

Depois disso tudo, Lemann e seus sócios conseguiram o controle da Lojas Americanas. O preço da empresa estava abaixo do próprio valor patrimonial. Ou seja, se tudo desse errado, era bem provável que eles conseguiriam retirar o valor investido através das vendas dos imóveis.

Nessa época, Beto Sucupira já era um dos sócios de Lemann. Ele mesmo acabou sendo designado para tomar conta das Lojas Americanas. O negócio na época não estava indo muito bem, por isso era preciso alguém com sangue nos olhos.

Beto Sucupira era uma pessoa um pouco mais agressiva que Lemann. Tipo de cara que gritava no ambiente de trabalho, e quando algo dava errado, dava um murro na mesa. Por isso, ele acabou sendo enviado a Americanas, para iniciar uma revolução da empresa.

Ao chegar a Lojas Americana, Beto começou a desenvolver um trabalho de redução da companhia. A empresa se encontrava muito inchada, tendo diversos funcionários, e os planos de bonificação da mesma eram muito estranhos, com metas pouco complexas.

Ou seja, não era difícil ver funcionários ganharem bons rendimentos sem alcançar algo mais difícil dentro da companhia. Isso tudo acabava reduzindo o dinheiro no caixa. Beto começou dispensando uma grande parte dos funcionários, e depois mirou no alto escalão da empresa, para iniciar uma mudança no plano de metas e bonificações.

Com o tempo as coisas começaram a melhorar, e os resultados começaram a aparecer. A nova empreitada de Lemann estava dando tão certo, que agora eles estavam mirando uma nova aquisição. De um setor diferente, dessa vez, eles estavam atrás de uma cervejaria!

7 – Aprendendo com quem sabe

Mas antes de falar sobre a nova empreitada, devo falar sobre uma das pessoas que ajudaram Lemann e Beto a conseguir conduzir a Lojas Americanas, Sam Walton!

Sim o dono do Wall Mart ajudou os sócios nessa empreitada. Tudo começou com a tentativa de melhorar a condução dos negócios, dando, mas competitividade a Lojas Americanas.

Então os sócios enviaram várias cartas para todas as grandes empresas de varejo que eles conheciam. Mas quando eu falo de empresas conhecidas, estou me referindo as grandes mesmo.

As respostas não foram muito amigáveis. É difícil encontrar alguém que esteja disposto a mostrar como funcionam suas operações. Ainda mais se for para um possível, ou futuro concorrente.

Mas Sam Walton do Wal Mart se apresentou disposto a ajudar. E foi isso que ele fez. Os sócios, Beto e Lemann foram até os Estados Unidos para encontrar o dono do Wal Mart.

Sam Walton inclusive foi encontrar os sócios no aeroporto. Buscando os sócios do Banco Garantia e iniciando seu tour pelas suas lojas, mostrando como funcionava toda operação.

No final das contas, a negação das outras empresas beneficiou os negócios de Lemann e Beto, uma vez que eles aprenderam com o melhor varejista da época!

8 – Comprando a Brahma!

Em 1989 Lemann já estava comprando todas as ações da Brahma que via pela frente. Tentando assumir o controle da companhia, só faltava negociar os papeis dos donos.

Depois de algumas negociações Lemann conseguiu arrematar a cervejaria Brahma, que na época tinha participação de aproximadamente 30% do total de cervejas vendidas no Brasil.

Nada mal! A cervejaria era familiar, e já vinha apresentando alguns problemas, dentre eles, a queda das vendas e perda de espaço no mercado nacional.

Coisa um tanto quanto similar ao que vinha acontecendo com as Lojas Americanas antes de ser arrematada pelos sócios do Banco Garantia.

Depois de encerrar as negociações e efetivar a compra da Brahma, faltava botar alguém para administra os negócios. Dessa vez não colocaram o Beto, mas sim Marcel Telles.

O terceiro sócio, Marcel foi escolhido para tocar a operação da Brahma! Novamente com o intuito de melhorar a administração e a forma de tocar o negocio, Marcel foi atrás de outros gigantes do mercado.

Ele conseguiu nada menos do que a dona da Budweiser! Isso mesmo, pura ironia! Quem diria que eles teriam aula com a empresa que anos depois iriam adquirir?

Enfim, Marcel foi até os Estados Unidos para conhecer a operação, e aprender melhor sobre o business de bebidas. Marcel munido de todo conhecimento de gestão adquirido pelos sócios do Banco Garantia, mais o conhecimento adquirido na Budweiser, começou a implementar tudo isso na Brahma.

A Brahma tinha vários problemas, como falta de padronização em suas operações. Coisas que foram rapidamente detectadas e melhoradas. Não demorou muito para as coisas se encaixarem.

9 – Fim do Garantia

A década de 90 não foi a melhor década do Garantia. Nesse período ele seria vendido para um grande banco do exterior. Infelizmente, com o passar dos anos, e as empresas adquiridas, como as Lojas Americanas e Brahma, os sócios Lemann, Beto e Marcel não tinha mais tanto tempo para cuidar do Banco Garantia.

Durante os anos onde aconteceram as aquisições, inclusive a criação da GP Investimentos, Lemann foi delegando novos administradores para o Banco. Dessa forma o modelo de participação societária foi evoluindo, e novos funcionários que foram ganhando participação no banco, ganharam espaço para tocar a instituição.

Lógico, Lemann e os outros sócios mantinha participação na empresa, mas a influência estava perdendo força com o tempo. Até que as coisas foram piorando, e a administração começou a perder um pouco o foco (vamos dizer assim).

Vendo que os negócios não estavam melhorando, e que a atenção dos sócios estava cada vez mais voltada as novas operações, e nos investimentos, visando alocar recursos em empresas com objetivos de longo prazo, Lemann e os outros decidiram vender o Banco garantia para o banco Credit Suisse.

Aquele mesmo que Lemann tinha trabalhado quando jovem. Agora o Credit estava comprando o Banco Garantia. Alguns dos bons profissionais que estavam acompanhando Lemann permaneceram no banco após a aquisição, mas logo acabaram saindo do mesmo.

Ainda nessa época, Lemann passou por um grande susto, quando houve uma tentativa de sequestro de seus filhos. Após o incidente, Lemann resolver se mudar com a sua família para os Estados Unidos.

Desde esse incidente eles nuca mais ficaram no Brasil (para morar). Hoje inclusive, Lemann e sua esposa vivem na Suíça.

10 – Novas aquisições

Agora sem o banco, e podendo se concentrar em novas aquisições, Marcell, Beto e Lemann visavam adquirir novos business. Um desses era a Booknet.

Companhia inspirada na Amazon (o leitor deve saber o que é a Amazon, certo?). Do mesmo jeito que surgiu o interesse ela foi adquirida. Posteriormente, a companhia passou a ser chamada de Submarino.

Após a aquisição, o braço virtual do Submarino e das Lojas Americanas nasceu a B2W. Mas não foi só de negócios bem sucedidos que aconteceram.

Entre essas compras, houve a aquisição da empresa têxtil Artex. Mesmo tendo cuidado com a empresa, e tentando melhorar a operação, a GP Investimentos não estava conseguindo fazer a companhia crescer. Por isso, eles  acabaram se juntando com a Coteminas, outra empresa da área, para conseguir dar um impulso ao business.

Com o passar do tempo, a GP Investimentos, e Coteminas não foram se entendendo, e passaram a disputar o controle da Artex. Ao final a GP acabou cedendo o controle tomando o prejuízo. Enfim, a vida não é feita de somente de vitórias não é mesmo?

Mas a próxima aquisição que vamos falar aqui gerou uma verdadeira mudança no rumo das coisas!

11 – Aquisição da Antártica e a criação da Ambev

A Brahma durante todos os anos que esteve sobre comando dos sócios da GP teve como forte concorrente à cervejaria Antártica. Tal cervejaria era a segunda maior do país, e batia de igual para igual com a Brahma.

Porém, com a aquisição do pessoal da GP as coisas foram mudando, e a Brahma iniciou um processo de aumento de vendas e clientes. Isso fez com que as receitas da Antártica começassem a cair.

Cair do tipo, pela metade! Isso despertou o sinal vermelho na empresa. Sinal que ao mesmo tornou a venda da cervejaria para sua concorrente algo possível.

Observando a oportunidade de aquisição, Lemann, Marcel e Beto iniciaram as negociações. Colocando gente de confiança para liderar as negociações e assim conseguir finalizar a compra.

Se não me engano, a compra da cervejaria foi finalizada 9 meses após o inicio das negociações. Nesse momento, só faltava o CADE aceitar a compra, e encerrar em definitivo a aquisição da segunda maior cervejaria do país.

Com a permissão do CADE, a nova cervejaria Ambev, foi criada, Agora ficava faltando a Ambev vender um de suas marcas, que era a Bavária, e cinco de seus centros indústrias, para uma mesma marca de cerveja.

Após essas negociações, a aquisição e a criação da Ambev pode ser consolidada. Pronto, Lemann, Marcel e Beto tinham praticamente um monopólio em suas mãos, em outras palavras, 70% das vendas de cerveja passavam pela gigantesca Ambev.

Agora eles já traçavam aquisições ainda maiores! Já estavam sonhando com algo, tipo, Budweiser…

12 – Interbrew, Aquisição ou Venda?

Consolidada a Ambev, chegou a hora de olhar para fora do país! Os sócios Lemann Beto e Marcel agora estavam negociando a aquisição da Interbrew, companhia que possuía diversas marcas de cerveja pela Europa.

Dentre elas podemos citar a cerveja Stella Artois como uma das marcas. Com essa aquisição os sócios da Ambev teriam além de participação no exterior, certo monopólio em diversas outra regiões fora do Brasil.

Isso geraria mais receita e mais poder para futuras aquisições. Até aqui tudo parecer ser muito interessante, mas uma aquisição dos sócios que começaram tudo com a compra das Lojas Americanas, não é verdade?

Mas não foi bem assim que a coisa aconteceu. Na verdade, olhando diretamente para os números, foi ao contrario que se deu o negocio. Quem adquiriu quem, foi na verdade a Interbrew! Ela ganhou participação de 52% da Ambev, enquanto os brasileiros ganharam, em troca, 25% da Interbrew.

O truque dentro desse negocio, era o controle administrativo da companhia. Quem iria tocar a operação, ou ao menos administrar, seriam os sócios brasileiros.

Mas na hora, não era isso que ficava evidente. Após a aquisição, ou melhor, o encerramento dos negócios, houve uma preocupação por parte do pessoal da Ambev com a mudança societária. Observando isso, os sócios tiveram que entrar em ação para reduzir as dúvidas, e diminuir o pânico que surgiu entre o pessoal.

Com tudo mais calmo, eles puderam tocar o negocio, implementando as técnicas e experiência adquiridas durante todos os anos, desde o Banco Garantia.

Mas as aquisições não acabaram por ai. Na verdade não podemos nem falar que esse negócio foi uma aquisição. Vamos dizer que foi um sacrifício que Lehmann, Marcel e Beto fizeram para conseguir comandar o maior conglomerado de cervejas do mundo. Agora eles se voltaram para os Estados Unidos, aonde existia uma cervejaria muito grande,  a dona da marca Budweiser!

13 – Compra da Anheuser-Busch

Essa aquisição sim foi bem complicada. No início do livro O Grande Sonho, a primeira historia a ser narrada é sobre a formulação da compra da Anheuser-Busch.

A negociação já acontecia a tempos, mas o plano foi colado em prática meses antes da crise hipotecaria nos Estados Unidos. Estamos, falamos de 2008!

Como o negócio envolvia bilhões de dólares, não havia dinheiro em caixa suficiente para comprar sozinho a Anheuser-Busch, havia necessidade de contar com o financiamento de instituições financeiras. E não foi somente uma que entrou no negócio. Houve vários bancos que financiaram tal aquisição.

O problema, é que com a crise, poderia haver a desistência de um desses bancos, e o negócio poderia ter sido encerrado ali mesmo! A oportunidade que ali se apresentava poderia desaparecer em questão de pouquíssimo tempo.

Por isso havia por parte dos sócios brasileiros, o cuidado de entrelaçar muito bem o negócio e os meios de financiamento para consolidar a compra.

Depois da aquisição, a Anheuser-Busch, a empresa virou Anheuser-Busch InBev e o mapa societário das empresas ficou dessa forma:

Nessa imagem ainda temos a SAB Miller, cervejaria que foi adquirida e incorporada ao grupo em 2015. Definitivamente, os sócios e amigos, Marcel, Beto e Lemann possuem, agora,  uma das maiores empresas do mundo!

14 – 3G Capital

No meio dessas aquisições e da construção da Anheuser-Busch InBev. Lemann, Beto e Marcel criaram a 3G Capital! Essa holding tem a sede nos Estados Unidos, e possui participação em diversos negócios. Dentre eles podemos citar a aquisição da Heinz, juntamente com o investidor Warren Buffett.

Antes disso houve a aquisição do Burger King (o leitor provavelmente deve conhecer essa rede de fast food). Uma das maiores concorrentes do MC Donalds, o Burger King atualmente está em processo de expansão dos seus negócios no Brasil, através da abertura de capital na bolsa.

Com o dinheiro adquirido por meio das vendas das ações, será possível expandir ainda mais os negócios, ganhando mais terreno no Brasil e aumentando a competitividade contra o MC Donalds.

Ainda dentro dessas aquisições houve mais algumas, porém de menor expressão.

15 – Warren Buffett e Lemann

Uma pessoa muito especial acabou gostando muito da maneira de administrar os negócios de Lemann, foi nada mais, nada menos do que Warren Buffett.

Segue alguns artigos sobre Warren Buffett:

O Oráculo de Omaha vira e mexe faz negócios junto da 3G Capital. Em um desses negócios eles acabaram adquirindo a Heinz. Uma das empresas de alimentos mais tradicional dos Estados Unidos.

Buffett não possui nenhuma ressalva em deixar o negócio nas mãos de Lemann, Marcel e Beto. Aliás, depois da Heinz ele ainda fez mais umas aquisições junto aos sócios brasileiros. Fazendo um investimento inferior, auxiliando na aquisição da companhia, e deixando para os brasileiros a administração do business.

Sem dúvidas, ter a confiança do terceiro homem mais rico do planeta não é qualquer coisa!

16 – O que podemos aprender com Jorge Paulo Lemann?

Diversas coisas! Em particular, eu aprendi que por mais louco que seja o seu sonho, ele é possível de ser realizado. No caso de Lemann, ele não tinha pretensão alguma de comprar uma cervejaria quando estavam construindo o Banco Garantia.

As coisas foram surgindo pela frente, e as oportunidades foram mostradas. O mercado de ações, por exemplo, é um lugar aonde aparecem diversas oportunidades constantemente.

Basta o investidor ficar atento e investir no ativo correto. Para mim, um desses investimentos, foi ter comprado BOVA11 quando o ETF ainda estava valendo pouco menos de R$ 40,00!

Fiz esse investimento, porque é muito difícil um ETF (que possui diversos ativos em carteira) vir a falir por exemplo. Mesmo que uma ou mais empresas venham a virar ações de centavos, BOVA11 contaria com mais uma dezena de negócios que conseguiriam, ao menos, reduzir a volatilidade de carteira.

Lógico, se eu fosse investir em GRND3 (Grendene) poderia ter lucrado muito mais! Muito mesmo! Mas ai que está, ao menos eu consegui investir em uma das oportunidades. Existe investidor que deixou até o Tesouro Direto de lado! Investimento que também ofereceu rentabilidades relativamente elevada.

Contar com juro prefixado de 7% ao ano, mais inflação até 2050 não é para qualquer um! Analisando isso, Lemann nos ensina muito sobre risco, e a importância de se arriscar um pouco mais na vida!

A história de aquisições e aprendizado junto a pessoas importantes no mundo, como Sam Walton trazem outra lição para todos os investidores. Não custa tentar!

Se você não tentar nunca saberá se aquilo daria certo ou não. Lógico, você deve fazer uma avaliação de risco antes de tentar qualquer coisa, mas se tudo estiver dentro da normalidade e o resultado, se for positivo, ser muito bom, não deixe de fazer. Eu já enviei uma carta para Buffett, a resposta virou um artigo aqui no blog e pode ser visualizado através desse link!

Enfim, tudo isso veio de um Grande Sonho, do mesmo jeito do título do livro que fala de Lemann e seus dois sócios. Se o leitor possui algum sonho, corra atrás! Se ainda não tem algum sonho, pense em algo! Não tenha medo!



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3 Comentários Quem é Jorge Paulo Lemann e Como Ele Construiu Sua Fortuna?

  1. Márcia Aparecida Rodrigues

    Derepente no final do túnel me veio uma luz, não sei como, mas preciso apenas que chegue uma carta a Jorge Paulo Lemann, se ver isso me diga como, por favor…

    Responder

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