Caro leitor,

Você já parou para imaginar o impacto de uma represa se rompendo e despejando cerca de R$ 49 bilhões de uma só vez no mercado?

Pois não precisa imaginar.

Isso está prestes a acontecer.

A liquidação do Banco Master vai acionar o gatilho para o maior ressarcimento da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Estamos falando de uma injeção de liquidez que pode variar entre R$ 41 e R$ 49 bilhões voltando para a mão dos investidores, segundo Daniel Lima, presidente do FGC.

A boa notícia? O sistema funciona. O dinheiro vai voltar, e isso provavelmente terá início ainda em 2025.

Mas a notícia que realmente importa para o seu bolso é outra.

É o “efeito colateral” dessa enxurrada de dinheiro.

Pense comigo: de repente, milhares de investidores estarão líquidos, com dinheiro na conta, procurando onde alocar esses recursos.

E aqui entra a velha e implacável lei da oferta e da demanda.

Quando muita gente corre para comprar a mesma coisa (títulos seguros, CDBs de bancões, renda fixa conservadora), o que acontece com o preço?

Sobe.

E o que acontece com a taxa de retorno?

Cai.

É um movimento de gangorra clássico.

Os grandes emissores não precisarão oferecer prêmios altos para captar dinheiro, porque a fila de investidores querendo entrar será enorme.

Por outro lado, os bancos pequenos e médios, aqueles que carregam mais risco, vão ter que suar a camisa.

Afinal, a percepção de risco aumentou. O investidor ficou arisco.

Para convencer você a emprestar dinheiro para eles agora, o “prêmio” (a taxa) terá que ser maior.

Mas aqui mora o perigo. E é onde eu quero que você preste atenção máxima.

O investidor que estava no Banco Master estava “viciado” em taxas de até 140% do CDI.

Era um “menu degustação” de luxo, servido por um emissor que já mostrava não ser sólido.

Quando esse investidor receber o dinheiro do FGC e olhar para o mercado atual, vai ver títulos seguros pagando 100% ou 105% do CDI.

Ele vai sentir a queda na rentabilidade. Vai doer no ego e no bolso.

E é nesse momento de frustração que a ganância costuma armar a sua arapuca.

Passado o susto, a tentação de buscar “novas aventuras” para recuperar aquele retorno de até 140% vai voltar.

E o investidor desavisado vai acabar comprando risco de crédito ruim, apenas olhando para a taxa gorda na vitrine.

Não cometa esse erro.

O caso Master mostra, da forma mais didática possível, que não existe almoço grátis no mercado financeiro.

Taxas muito acima da média carregam riscos muito acima da média.

O foco agora deve sair da “taxa” e ir para a “análise de risco”.

Talvez seja a hora de deixar de ser o “caçador de taxas” solitário e começar a agir mais como um alocador profissional de capital.

Isso pode significar aceitar a segurança do Tesouro Selic ou de títulos públicos.

Ou, para quem busca mais retorno, migrar para Fundos de Crédito Privado High Grade.

Neles, em vez de apostar todas as suas fichas em um único banco (risco concentrado), você entrega o dinheiro a um gestor profissional que compra uma cesta com 30, 50, 100 empresas de alta qualidade.

Você dilui o risco e mantém o potencial de retorno (no entanto, é fundamental que você saiba que, ao investir em Fundos de Crédito Privado, você não conta com a cobertura do FGC).

A lição final é simples:

O FGC existe e protegeu, pelo menos uma parte, do patrimônio de muita gente desta vez.

Mas a melhor proteção que existe não é um fundo garantidor.

É o seu conhecimento.

É a sua capacidade de entender que, se algo parece bom demais para ser verdade (como um CDB pagando muito acima do mercado sem risco aparente)…

Provavelmente é.

Atenciosamente,

Hugo Teixeira

Consultor de Valores Mobiliários Autorizado pela CVM; Especialista de Investimentos Certificado pela ANBIMA; Trader e Investidor Profissional há 17 Anos

PS: um detalhe que a euforia do reembolso esconde: o FGC tem limites claros: R$ 250 mil por banco e R$ 1 milhão global a cada 4 anos. Quem apostou demais e ignorou a diversificação vai ter prejuízo. A rede de proteção tem buracos caros para quem não lê o manual.

PS: evitar o “banco bomba” da vez é o básico. O verdadeiro desafio é construir uma carteira que sobreviva a governos, crises internacionais e mudanças na taxa de juros sem que você perca o sono. Se você quer parar de apagar incêndios e começar a investir com uma blindagem profissional contra os riscos do mercado, veja como eu posso te ajudar neste link aqui!

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