Caro leitor,
Está ansioso com o futuro?
Pois se o que você quer nos seus investimentos é obter grandes lucros com absoluta tranquilidade, então preste atenção.
Pelos próximos dias eu vou falar do que é uma das melhores estratégia que existe para atingir esse objetivo.
Principalmente na atual conjuntura do país.
Se trata de uma estratégia que no momento não é muito difundida no Brasil (exceto pelo trabalho de alguns excelentes profissionais, como o meu amigo André Hanna)…
Mas que é muito popular nos EUA, em especial entre grandes investidores.
É uma estratégia tão popular, na verdade, que já foi até chamada de “O Santo Graal Dos Investimentos”.
E parte do que fez essa estratégia se tornar tão conhecida foi que seu criador é um dos maiores investidores vivos dos EUA.
Estou falando aqui de Ray Dalio, gestor e o fundador da Bridgewater Associates, uma das mais lucrativas gestoras do mundo (que possui mais de U$140 bilhões em patrimônio).
No entanto o que realmente garante que essa estratégia receba tanta atenção é um outro fato.
O fato de que ela funciona.
E funciona muito bem.
Então vamos começar a entender hoje o que ela é e como ela funciona.
E o primeiro passo para isso é entender o conceito de “Estações De Mercado”, sobre o qual a estratégia foi baseada.
As Estações Do Mercado, Segundo Ray Dalio
O primeiro ponto é que são dois os elementos que determinam essas estações.
- Crescimento Econômico
- Inflação
E a qualquer ponto da história ambos esses dois elementos podem estar ACELERANDO ou DESACELERANDO, de modo que eles sempre acabam por configurar 4 ambientes econômicos que tendem a acontecer em sequência.
Isto é:
- ACELERAÇÃO do Crescimento com DESACELERAÇÃO da inflação
- ACELERAÇÃO do Crescimento com ACELERAÇÃO da inflação
- DESACELERAÇÃO do Crescimento com ACELERAÇÃO da inflação
- DESACELERAÇÃO do Crescimento com DESACELERAÇÃO da inflação (recessão)
Agora, para realmente entender como isso funciona vamos imaginar como aconteceria um ciclo completo dessas estações.
Imagine então que você tem um fábrica de carros num momento em que a economia está no cenário 4 (DESACELERAÇÃO do Crescimento econômico com DESACELERAÇÃO da inflação – recessão)
Cenário 4 (recessão)
Nesse cenário os negócios não vão bem.
Como as empresas do país de modo geral não estão ganhando muito dinheiro, elas estão demitindo muitos funcionários.
Ao mesmo tempo, para desacelerar a ALTA INFLAÇÃO, o banco central está mantendo TAXAS DE JUROS ELEVADAS.
E isso tudo significa que há menos pessoas interessadas em comprar carros, o que implica numa DESACELERAÇÃO do crescimento da sua fábrica
Ou seja: há cada vez menos dinheiro entrando porque as pessoas estão comprando menos.
Assim, para manter pelo menos um pouco da sua margem de lucro, o que você pode fazer?
Basicamente você tem duas medidas possíveis. E se você tiver juízo vai seguir as duas.
Em primeiro lugar você demite funcionários e passa a produzir MENOS carros.
Afinal, qual é o motivo de ficar gastando dinheiro com pessoal e matéria prima para fabricar carros que ninguém vai poder comprar tão cedo?
E, em segundo lugar, você DIMINUI os preços para tentar aumentar o número de pessoas interessadas em comprar carros.
É assim que você sobrevive numa recessão.
E dessa forma sua estratégia de sobrevivência contribui diretamente para a DESACELERAÇÃO da inflação.
(Exatamente como o banco central previu que ela faria ao elevar os juros).
Não só porque você reduziu o preço do seu produto…
Mas também porque ao demitir funcionários, você está ajudando a reduzir ainda mais a intensidade de consumo da população geral.
Agora, por pior que uma recessão possa ficar, mais cedo ou mais tarde a inflação desacelera o suficiente para que o Banco Central possa baixar os juros.
E é aí que as coisas melhoram…
Cenário 1
Ao baixar os juros, o Banco Central cria um ambiente de incentivo econômico.
Isso significa que, como agora é menos custoso emprestar dinheiro, as empresas e as pessoas começam a fazer justamente isso.
Elas começam a fazer mais empréstimos e fazer mais compras.
Compras estas que se tornam a renda de outras pessoas e negócios.
De modo que essas outras pessoas e negócios terão mais dinheiro em mãos para elas mesmas gastarem.
Principalmente se eles também fizerem empréstimos.
Em outras palavras: ao baixar os juros, o Banco Central ajuda a injetar dinheiro para movimentar a economia.
E agora que mais pessoas tem dinheiro e crédito à disposição, isso é bom para você.
Pois mais pessoas vão querer comprar carros.
Só que você tem um pequeno problema.
A essa altura a capacidade de produção da sua fábrica está reduzida, em função das demissões que você teve que realizar durante a recessão.
O que você faz então?
Você começa a recontratar gente!
Com isso você passa a fabricar mais carros e o seu lucro cresce!
E não só isso: todas as empresas e fábricas de maneira geral também passam pela mesma coisa.
Então as empresas voltam a prosperar enquanto a população geral volta a ter mais renda.
Final feliz para a história?
Não exatamente.
Pois esse crescimento todo não vem de graça.
E é aí que entramos no cenário 2 (ACELERAÇÃO do Crescimento econômico com ACELERAÇÃO da inflação).
Cenário 2
Veja bem:
Imagine que quanto mais a economia melhore, mais pessoas você recontrate para produzir mais carros, já que agora tem muita mais gente comprando.
No início os seus gastos para aumentar a produção não são muito grandes.
Afinal, a fábrica já têm as máquinas – você simplesmente não as estava usando porque não fazia sentido produzir mais carros quando as pessoas não iriam comprá-los.
A matéria prima também sai relativamente barata, já que as fábricas que produzem as peças de que você precisa estão tão desesperadas quanto você para fazer mais negócios.
E, além disso, contratar novos empregados não sai muito caro, já que ainda há muita gente desempregada no início de uma recuperação econômica.
Gente que estará feliz em trabalhar por qualquer fonte de renda.
No entanto, a coisa não vai ficar assim para sempre.
Inevitavelmente chega uma hora em que a sua fábrica chega no limite de funcionários.
Ou seja: todas as máquinas que a fábrica tinha agora já estão sendo usadas.
Assim, para continuar aumentando a produção de carros e o lucro só há uma solução:
Você vai precisar comprar mais máquinas.
E isso custa caro.
Pior ainda: encontrar pessoas para trabalhar nessas novas máquinas agora já não é tão fácil.
Afinal, a sua fábrica não é a única que está contratando cada vez mais gente.
Todo mundo está contratando cada vez mais gente.
E isso significa que não há mais tanta mão de obra capacitada desesperada para trabalhar.
Significa que se você quer funcionários capacitados… não dá mais para escolher da fila de desempregados.
Significa que você vai precisar competir com outras fábricas por eles.
E como você faz isso?
Exato: você oferece um salário maior.
Mas a brincadeira não para por aí.
Imagine que crise você teria nas suas mãos se os seus outros funcionários descobrissem que você está pagando mais para os novos funcionários, sendo que todos eles fazem a mesma coisa!
Principalmente com os seus competidores de olho na sua mão de obra especializada.
Ou seja: você não vai apenas pagar mais para os novos funcionários.
Você vai pagar mais para todo mundo.
Acabou o aumento de gastos?
Não!
Pois há um outro detalhe aqui.
Acontece que como há muitas fábricas de carro aumentando a produção, não é só a demanda por mão de obra que está aumentando.
A demanda por obra prima também está aumentando.
Ao ponto em que as fábricas que fazem as peças das quais você precisa podem confortavelmente aumentar os preços.
O que aumenta o seu custo de produção ainda mais.
Então, diante desse monte de gastos novos, como você mantém a sua margem de lucro?
Exato:
Você aumenta os preços dos seus carros.
Afinal, por que não?
Todas as outras fábricas estão fazendo o mesmo!
Agora imagine que todas as empresas do país estão passando pela mesma coisa que as fábricas de carros e deve ficar claro porque agora o crescimento econômico se torna cada vez mais INFLACIONÁRIO.
E essa inflação vai se fazendo sentir cada vez, mais tanto na economia quanto no mercado.
É aqui que entramos no cenário 3 (DESACELERAÇÃO do Crescimento econômico com ACELERAÇÃO da inflação)
Cenário 3
Inflação é como ferrugem nas engrenagens da economia.
E a partir do momento em que ela vai crescendo fica cada vez mais difícil para uma economia crescer.
Vamos voltar à sua fábrica de carros.
Graças à alta da inflação os seus gastos disparam:
- Os salários dos funcionários
- A obra prima
- A manutenção das máquinas
- O aluguel da fábrica
- Etc.
E com isso você também teve que aumentar os seus preços, contribuindo ainda mais para a inflação.
Só que com preços tão caros, menos pessoas passam a comprar carros.
Enquanto as que compram precisam emprestar mais dinheiro do que antes para fazer isso.
Ou seja:
Nesse cenário as empresas estão gastando mais para lucrar menos.
E, apesar da alta nos salários, os trabalhadores estão perdendo poder de compra e acumulando dívidas.
Óbvio que a coisa não pode seguir nesse rumo.
Então é aí que o Banco Central intervém com a única medida que pode frear esse superaquecimento da economia:
Ele aumenta os juros!
Com o aumento dos juros as pessoas param de emprestar tanto dinheiro, pois agora o custo de fazer isso se torna mais alto.
Com menos crédito à disposição elas passam a consumir menos.
Para a sua fábrica de carros, por exemplo, isso significa que a demanda diminui.
E se a demanda diminuiu, não faz sentido continuar fabricando tantos carros quanto antes, certo?
Então o que você faz?
Você demite uma parte dos seus funcionários e passa a fabricar menos carros.
Mas, mesmo assim, você ainda precisa incentivar os compradores cada vez mais apáticos a comprar os seus carros.
Então você também baixa os preços dos carros, o que reduz ainda mais o retorno da fábrica.
Ao mesmo tempo, o crescimento das demissões, a população como um todo perde capacidade de consumir.
O que desacelera ainda mais a inflação.
Mas também desacelera a economia, pois o consumo é reduzido.
Até o ponto em que o crescimento econômico chega a um nível mínimo.
E é aqui que geralmente uma economia entra em recessão.
Que é basicamente quando a economia está se “curando” da inflação enquanto fica de repouso.
E quando a recuperação termina, naturalmente o Banco Central volta a baixar os juros.
O que faz o ciclo todo começar de novo.
Mas Como Isso Afeta Seus Investimentos?
Se você conhece um pouco dos ativos financeiros do Brasil, então você já deve estar imaginando como cada ciclo influencia na performance deles.
E esse é o ponto crucial do conceito de Estações de Mercado em relação a investimentos.
O fato de que em cada Estação de Mercado, os ativos que melhor performam são DIFERENTES.
Ações, por exemplo, naturalmente se valorizam mais nos cenários 1 e 2, enquanto nos cenários 3 e 4 é quando elas performam pior.
Da mesma forma, diferentes ativos tanto da renda fixa como da renda variável performam melhor ou pior dependendo de qual “estação” a economia se encontra.
E preste muita atenção:
Só de entender isso você estará à frente da esmagadora maioria dos investidores brasileiros.
No entanto…
Mesmo com esse importante conhecimento em mão você deve ter notado que ainda não temos uma estratégia.
Afinal, existem muitas formas de aplicar esse conhecimento de forma prática.
Muitas estratégias para se aproveitar dos ciclos do mercado.
Mas como eu já disse, a melhor de todos é provavelmente “O Santo Graal Dos Investimentos”.
Então é nessa estratégia em que nós vamos nos aprofundar na nossa próxima conversa.
Não perca!
Atenciosamente,
Hugo Teixeira