Caro leitor,

Quantos investimentos você tem hoje?

Dez?

Vinte?

Cinquenta?

Talvez muito mais.

Agora vem a pergunta realmente importante:

Quantas apostas diferentes existem dentro deles?

Porque uma carteira pode ter dezenas de ativos…

E continuar dependendo da mesma história.

Isso acontece com muito mais frequência do que parece.

O investidor olha para o extrato e vê variedade.

Um ETF do S&P 500.

Outro do Nasdaq.

Um fundo global.

Ações de empresas de tecnologia e energia.

Talvez crédito privado internacional.

Parece diversificado.

Mas, quando você abre cada uma dessas caixas, pode descobrir que várias dependem do mesmo motor.

No momento, um dos exemplos mais claros é a inteligência artificial.

O tema deixou de estar restrito às empresas de tecnologia.

Ele se espalhou.

Chegou aos fabricantes de chips.

Aos data centers.

Às empresas de energia.

Às construtoras.

Às fabricantes de transformadores.

Às mineradoras de cobre.

Ao mercado de crédito que financia essa expansão.

Ou seja:

Você pode comprar seis investimentos diferentes…

Em seis setores diferentes…

E todos eles dependerem da continuação do mesmo ciclo de investimentos em inteligência artificial.

Isso não é necessariamente ruim.

Mas é concentração.

E pode ser uma concentração que você nem percebeu.

Recentemente, as ações de semicondutores passaram por uma correção relevante depois de uma alta extraordinária.

Fundos ligados ao setor registraram saídas bilionárias em poucos dias.

O ponto aqui não é dizer que a inteligência artificial acabou.

Nem que os semicondutores vão cair.

Nem que você deveria vender qualquer coisa.

O ponto é outro.

Quando uma narrativa domina o mercado, ela começa a aparecer em todos os lugares.

E investimentos que pareciam diferentes passam a reagir ao mesmo acontecimento.

É como possuir dez barcos diferentes.

À primeira vista, parece que o risco está espalhado.

Mas todos navegam nas mesmas regiões.

Se vem uma tempestade…

Todos a enfrentarão.

Esse é o problema da diversificação de fachada.

Ela existe no extrato.

Mas pode ser muito menor na economia real.

Veja os grandes índices internacionais.

Um ETF global pode possuir mais de mil empresas.

Isso soa como a definição perfeita de diversificação.

Só que grande parte do dinheiro pode continuar concentrada nos Estados Unidos.

E uma parcela enorme pode continuar ligada às maiores empresas de tecnologia.

O investidor pensa que comprou “o mundo”.

Mas talvez tenha comprado, principalmente, um único ciclo dos Estados Unidos.

E, dentro disso, as mesmas gigantes que já estavam no S&P 500, no Nasdaq e no seu fundo de tecnologia.

Você trocou o nome do produto.

Mas não necessariamente trocou o risco.

No Brasil, acontece algo parecido.

Você pode ter um ETF do Ibovespa, ações individuais, um fundo de dividendos e um fundo de ações brasileiras.

Quatro investimentos.

Mas todos podem carregar grandes posições nas mesmas empresas.

Bancos.

Petrobras.

Vale.

Empresas ligadas às commodities e ao ciclo econômico brasileiro.

De novo:

Muitos ativos.

Poucas histórias.

Na renda fixa, o problema é ainda mais discreto.

Um investidor pode ter CDBs de vários bancos, debêntures, fundos de crédito privado, CRIs e letras financeiras.

Na superfície, existe diversidade.

Mas, por baixo, os emissores podem depender do mesmo setor.

Do mesmo ciclo imobiliário.

Do mesmo tipo de garantia.

Da mesma fonte de liquidez.

Quando o cenário muda, vários riscos podem aparecer ao mesmo tempo.

É por isso que contar ativos não basta.

Contar fundos não basta.

Contar bancos não basta.

A pergunta correta não é apenas:

“Quantos investimentos eu tenho?”

A pergunta correta é:

“O que precisa acontecer para que esses investimentos deem certo?”

Se a resposta for muito parecida para todos eles, você pode estar mais concentrado do que imagina.

Talvez sua carteira dependa da queda dos juros.

Talvez dependa da alta do dólar, do crescimento da China ou da continuidade dos investimentos em inteligência artificial.

Nenhum desses cenários é impossível.

Alguns podem até ser bastante prováveis.

Mas uma carteira robusta não deveria sobreviver apenas se uma única previsão estiver correta.

Porque o mercado não tem obrigação de respeitar a nossa convicção.

E é justamente aqui que entra uma das maiores vantagens de uma consultoria de investimentos independente.

Não é apenas escolher novos produtos.

Às vezes, o trabalho mais valioso é descobrir que vários produtos que você já possui fazem praticamente a mesma coisa.

Um consultor pode olhar o patrimônio como um todo.

Abrir fundos e ETFs.

Identificar empresas repetidas.

Somar exposições por país, moeda, setor e emissor.

Analisar a relação entre os investimentos financeiros, os imóveis, a empresa do cliente e sua fonte de renda.

Isso é especialmente importante para quem possui um patrimônio elevado.

Quanto maior o patrimônio, maior costuma ser o número de contas, fundos e instituições.

E maior a chance de ninguém estar olhando para o conjunto.

O banco enxerga o que está no banco.

A corretora enxerga o que está na corretora.

A gestora enxerga o fundo que administra.

Mas quem está enxergando tudo?

Quem está verificando se diferentes partes do patrimônio não dependem do mesmo cenário?

Diversificar não é simplesmente possuir muitas coisas.

É evitar que todas elas dependam da mesma coisa.

O extrato mostra os produtos.

A análise mostra as dependências.

E essa diferença pode separar uma carteira que apenas parece segura…

De uma carteira realmente preparada para cenários diferentes.

Pense nisso.

Quantos ativos você possui?

E, por trás deles, quantas histórias realmente diferentes existem?

Atenciosamente,

Hugo Teixeira

NA

Consultor de Valores Mobiliários Autorizado pela CVM; Especialista de Investimentos Certificado pela ANBIMA; Trader e Investidor Profissional há 17 Anos

PS: Às vezes, a maior concentração de uma carteira não está em um ativo específico. Está em uma ideia. E ideias, quando se tornam consenso, costumam aparecer em muito mais lugares do que o investidor percebe.

PS: Se você estiver interessado em descobrir quais riscos estão realmente escondidos por trás dos nomes dos seus investimentos, veja neste link como uma consultoria independente pode ajudar a analisar o seu patrimônio como um todo.

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