Caro leitor,
Você consegue ouvir o barulho?
As vozes ensurdecedoras do pânico nos mercados?
Não?
Pois é, porque não há som algum.
E é assim que as grandes bolhas nascem: em silêncio.
Howard Marks, um dos investidores mais respeitados do mundo (e baita escritor também), acabou de acender a luz no corredor do mercado de ações americano. Mas a maioria dos investidores segue dançando, fones no ouvido, convicta de que o DJ tocará “Sweet Bull O’Mine” para sempre.
Hoje, vamos arrancar seus fones por cinco minutos.
Porque quem sair da pista agora, ainda com alguma luz, poderá jantar com os lucros enquanto os outros procuram a saída de emergência no escuro.
O que Marks nos alerta é um lembrete crucial:
Os mercados são movidos por emoções, não lógica, não racionalidade, mas emoções humanas.
Estamos num ponto onde os dados gritam “isso tudo está meio caro hein?”, mas a euforia sussurra “compra, compra, compra!”.
E esse sussurro, meu caro, é o mais traiçoeiro dos sons.
É algo super comum que se repete sempre. Como na história da Nest Labs, onde a empolgação com uma aquisição levou investidores a comprar a ação errada. Ou como nos ciclos de euforia e desilusão do mercado, onde o medo e a ganância cegam a maioria.
Mas desta vez, o contexto é ainda mais sutil e, por isso, mais perigoso.
Marks nos lembra que já se passaram quase 17 anos desde a última “correção séria de mercado”.
Pensa, 17 anos.
Para o investidor mais jovem, isso significa que ele nunca experimentou um período de baixa significativa. Para os mais experientes, 17 anos é tempo suficiente para o cérebro humano começar a apagar as memórias dolorosas e substituir a cautela por um otimismo quase cego.
Ele esquece das Nifty Fifty, da bolha das pontocom, a crise de 2008, talvez nunca tenha sequer pensado na crise de 1929 ou na bolha das Tulipas.
A falta de quedas significativas cria uma geração de investidores que acredita que a única direção do mercado é para cima, ignorando os sinais de alerta que se acumulam sob a superfície.
E por falar em sinais…
O próprio Warren Buffett está há alguns anos acumulando gordas reservas de dinheiro porque considera o mercado de ações pouco interessante, ou seja, caro.
Então, você me pergunta: estamos repetindo a história?
Na bolha das pontocom, foram 4 anos de grande euforia nos mercado onde a “manada” seguiu comprando, ignorando os sinais, e onde muitos “gurus” e “analistas” (como o Lobo de Wall Street) vendiam otimismo desenfreado para seus clientes, sem se importar com as consequências.
E se já estivermos em 1998 do novo roteiro, porém com câmeras 8K que viralizam pânico em segundos?
Marks não está prevendo o fim do mundo, mas está sugerindo que pode ser prudente instalar o Paraquedas Antecipado.
Ele sugere trocar parte de ações por crédito high-grade, mesmo que os spreads dos títulos estejam estreitos. A ideia-chave é clara: “melhor chegar vivo do que chegar primeiro”.
Isso pode parecer bem chato, mas são esses os ativos que preservam seu capital quando a festa termina, permitindo que você seja o comprador de barganhas quando o desespero atingir a maioria.
Lembre-se, o mercado é um lugar que transfere dinheiro dos impacientes para os pacientes. A alegria verdadeira nos investimentos raramente acontece no palco dos gráficos que explodem; ela nasce nos bastidores, nos momentos de disciplina e planejamento, onde ninguém está filmando.
Isso é o que aprendemos com a história dos FIIs, por exemplo. Em momentos de baixa, quando estão “baratos demais”, a maioria corre. Mas é exatamente aí que as oportunidades mais lucrativas surgem.
Bolhas não pedem licença para estourar. Elas sussurram “sobe, sobe, sobe” até que, de repente, a gravidade lembra sua existência.
Se você sente que tudo está fácil demais, parabéns: seu instinto de sobrevivência ainda funciona. Use-o.
Redesenhe agora sua carteira defensiva.
Porque, na próxima correção, o silêncio pode virar grito, e quem já estiver na porta poderá escolher para onde correr e o que comprar a preço de liquidação.
Qual parte da sua carteira ficou grande demais para ouvir o barulho da verdade?
Se você quer ajuda para calibrar a audição e distinguir o ruído da oportunidade em sua carteira, podemos conversar. Clique aqui para agendar um bate-papo inicial.
Atenciosamente,
Hugo Teixeira
Consultor de Valores Mobiliários Autorizado pela CVM; Especialista de Investimentos Certificado pela ANBIMA; Trader e Investidor Profissional há 17 Anos