Caro leitor,
O ano mal começou, o bronzeado do réveillon ainda não desbotou completamente e a maioria das pessoas ainda está operando em “modo verão”.
O Boletim Focus saiu ontem. O mercado reage ao de sempre: um ajuste na inflação aqui, uma revisão do PIB ali.
Tudo parece seguir o roteiro normal de um início de ano.
Mas, se você apurar os ouvidos e ignorar o ruído habitual do dia a dia, vai perceber algo diferente no ar.
Existe um “Elefante na Sala”.
Ele é enorme, pesado e está sentado bem no meio da Faria Lima, embora muitos investidores estejam, educadamente, fingindo que ele não está lá.
Estou falando, é claro, das Eleições Gerais de 2026.
Historicamente, anos eleitorais no Brasil tendem a apresentar maior volatilidade à medida que se aproximam das urnas e os ânimos se inflamam.
E essa volatilidade tende a ser ainda maior em cenários de incerteza fiscal como o atual.
Pois o que geralmente acontece em anos eleitorais é o choque entre duas forças opostas.
De um lado, o Fiscal Expansionista.
Em ano de urna, a regra em Brasília (independente de quem esteja no poder) costuma ser simples: gastar para agradar.
Obras são aceleradas, benefícios são ampliados, a torneira se abre. É o “pé no acelerador” da política.
Do outro lado, temos os Juros Restritivos.
O Banco Central, com seu mandato de controlar a inflação, vê esse gasto extra e a inflação de serviços persistente, e se vê obrigado a pisar no freio.
Ou seja, manter a Selic em patamares que machucam o crédito e o consumo, para evitar que os preços disparem.
Imagine um carro onde o motorista pisa fundo no acelerador e o passageiro puxa o freio de mão ao mesmo tempo.
O carro não sai do lugar com eficiência. O motor esquenta. As peças se desgastam. E quem está dentro chacoalha violentamente.
Essa “chacoalhada” é a volatilidade da questão fiscal.
Uma questão que só vem para adicionar ainda mais instabilidade ao cenário de sensacionalismo político.
E aqui entra um ponto cego da maioria dos investidores, inclusive daqueles com patrimônio robusto.
A maioria vê a volatilidade eleitoral como um “risco a ser evitado”.
Eles fogem.
Vendem no fundo, compram no topo, tentam adivinhar quem vai ganhar a eleição com base em pesquisas de janeiro (um exercício de futilidade).
Mas você não deve agir como a “maioria”.
Para o investidor inteligente, a volatilidade de um ano eleitoral não é um defeito do sistema.
Ela é uma oportunidade.
É aqui que entra a minha recomendação central de hoje.
Pense no seguinte cenário possível:
Lá para março ou abril, uma pesquisa eleitoral sai com um resultado que o mercado não gosta. Ou um boato sobre a troca da equipe econômica surge em Brasília.
O Dólar dispara.
A Bolsa, que negociava a múltiplos justos, despenca 5% ou 10% de uma hora para a outra, arrastada pelo pânico e pela irracionalidade.
Títulos de Renda Fixa IPCA+ passam a oferecer taxas bem melhores porque o mercado está exigindo um prêmio de risco gigantesco.
Nesse momento, o investidor comum tende a ficar paralisado, com medo. O “efeito manada” grita para ele vender e correr para a poupança.
Mas o investidor eficiente?
Esse investidor vai às compras.
Ele aproveita as distorções.
Porque o mercado, invariavelmente, exagera.
Ele exagera na euforia e exagera, ainda mais, no pessimismo.
É por isso que ter liquidez em 2026 é ter o poder de transformar o pânico alheio na sua oportunidade de longo prazo.
A lição de hoje é pragmática:
Não seja alarmista. O Brasil não vai acabar. Nós já vimos esse filme de “ano eleitoral” dezenas de vezes. As instituições rangem, mas não quebram.
Neste 2026 você não deve nunca esquecer de manter a calma quando os ânimos do mercado se inflamarem.
Ao invés de seguir a manada, pense no longo prazo.
Tome cuidado com os momentos de euforia.
E aproveite as distorções do mercado quando elas criarem descontos.
Atenciosamente,
Hugo Teixeira
Consultor de Valores Mobiliários Autorizado pela CVM; Especialista de Investimentos Certificado pela ANBIMA; Trader e Investidor Profissional há 18 Anos
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