Como Avaliar um Trade System

No último artigo discutimos sobre Trade Systems e alguns cuidados na hora de definir as regras que os compõem.

Como esse artigo é uma continuação do [intlink id=”10093″ type=”post”]anterior[/intlink], talvez seja interessante a releitura do inicial para que os novos conceitos não fiquem vagando no meio do nada.

E dessa vez falaremos sobre como realizar a avaliação de um sistema previamente desenvolvido; como descobrir se ele é bom, confiável e se não vai destruir a sua conta na corretora depois que começar a ser utilizado na vida real.

A melhor forma, e talvez única, de fazer isso é simular o sistema em dados passados, iniciando e concluindo diversas operações que seguem fielmente as regras descritas no sistema. Em seguida realizam-se análises através das estatísticas dos resultados obtidos com todas essas operações.

Tais estatísticas são métricas que servem para avaliar aspectos do Trade System, mostrando onde ele é bom e onde é deficiente. Podem ser observadas várias métricas diferentes e cada uma delas resume um aspecto do sistema. O complicado é que como cada operador tem um estilo e psicologia de trade próprios, não existe um único conjunto de métricas de avaliação que seria “o mais correto”. Sempre dependerá de operador para operador.

Sistemas, Vilões e A Dupla Face…

“Você olhou mesmo para todos os lados?”

Como qualquer bom vilão, os sistemas possuem ao menos duas caras. Eles podem disfarçar-se maquiavelicamente e ao mesmo tempo esconder segredos que apenas entrarão em cena nos capítulos finais da novela (ou talvez da tua existência como operador).

Em qualquer Trade System existem duas caras que podem ser nomeadas de faceta qualitativa e quantitativa. A primeira delas é mais chegada em números, porcentagens e nos resultados das operações; é o que todos os olhares buscam em primeiro lugar. A segunda exprime, também através de número, lampejos importantíssimos relacionados à saúde e estabilidade do sistema em questão.

Como sempre, vamos ilustrar a situação com um exemplo sensacional! Utilize a imaginação e crie dois indivíduos predestinados a serem operadores e batize-os de Aldous e Huxley. Sim, precisam ser esses nomes, senão não vai funcionar.

Aldous desde criança foi estimulado a sentir fortes emoções e um dia se descobriu um excelente operador. Ele prefere operar a favor e contra a tendência ao mesmo tempo, apostando seu capital em no máximo dois ativos de forma simultânea. Seu sistema apresenta duas componentes: uma baseada em trend-following para rastrear um ativo que esteja em tendência ascendente e outra com características counter-trend que busca a entrada em um repique de alta no segundo ativo, que está em trajetória de queda.

Huxley é um operador mais conservador e sempre foi incentivado a ser cuidadoso e precavido em suas operações. Ele prefere controlar o risco pulverizando seu capital entre 4 ou 5 ativos simultaneamente, escolhendo sempre papéis de baixa volatilidade e seguindo orientação trend-following para obter maiores retornos em tendências de alta bem definidas.

Ambos controlam o risco com stops e utilizam position sizing para não serem eliminados do mercado e terem de viver com os selvagens em alguma tribo distante.

Admirável Trade System Novo

Claro, estamos aqui para trabalhar juntos!

Vamos então à comparação entre os sistemas! … ou quase… porque antes de começarmos a espinafrar os sistemas dos nossos amigos classe alfa + é preciso escolher as ferramentas corretas. Nosso kit de estatísticas deve mostrar tanto o lado quantitativo (vou ganhar grana com essa parada?) quanto o qualitativo (minha cabeça agüenta esse sistema?).

Felizmente um kit de poucas estatísticas já resolve o problema, e apesar de elas serem simples constituem a base e o mínimo necessário em qualquer relatório de avaliação. Apenas comece a avaliar um sistema depois de calcular ao menos as métricas que estão na listinha abaixo:

  • Número de operações geradas;
  • Média do resultado das operações vencedoras e perdedoras (em %);
  • Acertividade (em %);
  • Média do resultado de todas as operações (em %);
  • Resultado final do sistema (em %);
  • Duração em dias das operações vencedoras e perdedoras;
  • Maior sequência de operações vencedoras e perdedoras;
  • Máximo drawdown;

Concluindo, Pero No Mucho

Mas e cadê o final?

Como em todo bom seriado altamente enigmático os capítulos sempre encerram no ápice do conflito, decidi dar por terminada essa parte do artigo e deixar propositalmente todos ansiosos pelo final da comparação entre Aldous e Huxley pelo Trade System perfeito.

Na verdade não sejamos tão sádicos. A segunda parte do artigo já está escrita e só eu sei o final, mas o real objetivo dessa sacanagem é que os leitores reflitam sobre as sugestões de métricas dadas acima e as duas facetas dos sistemas de operação; a qualitativa e quantitativa.

Depois de absorvido o conteúdo desse e do artigo anterior, iremos comparar os resultados dos sistemas propostos. Descobrir se eles refletem as características de seus criadores e o principal, racionar se algum deles se encaixaria no teu modo de operar!! Sim… Não… Talvez… Qual deles você escolheria antes de ver os resultados? Porquê?

Debater estimula o cérebro e clareia as idéias. Postem comentários ou para momentos de maior conflito, usem o fórum! Até a próxima e fiquem com Ford.



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20 Comentários Como Avaliar um Trade System

  1. Bolívar

    Olá Paulo!

    Parabéns pelos escritos, estou acompanhando feed RSS.

    Bem interessante essa questão de como avaliar TS, semana passada assisti a uma palestra do Stormer justamente sobre isso e foi bem interessante, tive ótimas idéias para novos sistemas, gostaria de saber se você recomenda algum programa pra back test, já testei AmiBroker e Wealth-lab, os dois são bons, mas não consegui configurar link DDE em nenhum, preciso de um programa que permita programar minhas estratégias e também acompanhar elas em tempo real, isso seria ótimo.

    Abraços

    Responder
    1. Paulo Nogueira

      Bolívar,
      a questão sobre como avaliar o Sistema é crítica e vai muito além do discutido nesse artigo. No próximo post falarei mais sobre as métricas apresentadas agora e futuramente quero introduzir exemplos de portfolio backtest, que é o que realmente importa.
      Quanto a link DDE eu não entendo. Prefiro observar o mercado apenas quando está fechado e daí tomar minhas decisões.
      Quanto aos softwares, como disse não uso DDE, mas o Wealth-Lab é fascinante em muitos aspectos.

      Stockler,
      ouví falar do Melão faz muito tempo, através de um amigo que gostava de xadrez. Nem imaginava que o cara tinha enveredado por esse ramo de investimentos. Agora um ponto pessoal: não acho que precise ser gênio para vencer como especulador nos mercados. É mais fácil com um QI alto, como no caso dele, mas uma boa dose de esforço e BOM SENSO fazem muita diferença. 🙂

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  2. Stockler

    Recomendo que leia um pouco sobre essa pessoa “Melão”. È hoje considerado a pessoa de maior QI do Brasil. Ele não tem segundo grau completo mas sempre jogou xadrez e sempre usou a estatistica para evoluir no jogo. Não tendo retorno financeiro no xadrez procurou uma outra forma que pudesse usar a estatisca a seu favor: ou apostar em corrida de cavalo ou apostar no mercado financeiro. Bom ele escolheu o mercado financeiro e nem preciso falar o final da história. Atua no mercado a 5 anos e é admirável o seu conhecimento do mercado. O site dele é http://www.saturnov.com . e pra quem quiser usar o seu ROBO “operações com sistema automatizado” vai ter que desembolsar alguns milhões de doláres.

    Responder
  3. Stockler

    Esse meu comentário eu quis mostrar a força da estatísca no mercado de ações, um ponto que eu nunca tinha dado muita importância. Hoje estou tentando realizar meus próprios backtests. Mas não quis dizer de forma alguma que precise ser um gênio e sim a força da estatistica no mercado de ações, para quem quer ter ganhos consistentes ao longo dos anos.

    Responder
  4. Bolívar

    Paulo, estou ancioso pelo próximo artigo, são realmente bem esclarecedores e com exemplos práticos fáceis de entender, isso deve estar ajudando muita gente nova nos investimentos, principalmente pra mostrar e divulgar trading systems que, na minha opinião, serão o futuro. São raras as pessoas que tem o dom pra analisar um gráfico com diversos indicadores, LTAs, LTBs e Fibos entre outros e ter lucros consistentes no longo prazo, infelizmente a grande maioria acaba perdendo dinheiro pois são análises muito subjetivas e é impossível realizar back test. Análise subjetiva está terminando nos EUA, lá a maior parte do volume negociado é TS. Sobre DDE é coisa de programador mesmo, isso serve pra você ter as cotações em tempo real, o que permitiria construir um robo que operasse automaticamente no mercado seguindo regras que você definir, isso já existe mas o custo é relativamente alto, no caso do melão pelo que vi praticamente só grandes fundos podem usar. Um amigo meu conseguiu pegar link DDE das cotações do broadcast e atualizar um arquivo CSV que o Wealth usa, está quase tudo certo já.

    Stockler, com certeza a estatística é muito importante para definir uma estratégia de investimentos, vence a guerra o estrategista que realizar mais cálculos em seu templo, segundo Sun Tzu.

    Responder
  5. Paulo Nogueira

    Bolívar,
    obrigado pelos elogios. A segunda parte está para ser publicada e espero que também seja do agrado.
    Trade systems serão bem difundidos por aqui também, é só questão de tempo. Para você ter idéia, sequer existe literatura técnica em português que trate sobre esse assunto, portanto, ainda está engatinhando quando comparado ao que se faz e conhece em outros países.

    CZ,
    Mini-Índice é algo que nunca experimentei e sei que vou acabar testando isso alguma hora. O fator alavancagem me interessa, mas não sei se é para o meu perfil ainda.
    Vou acompanhar teu sistema pelo blog. Boa sorte.

    abraços
    Paulo Nogueira

    Responder
  6. CZ Trading System

    Olá
    O assunto trade system no Brasil ainda é novo e pouco abordado. As poucas leituras em portugues se referem apenas às questões da análise técnica e com pouco dado estatístico, e além disso o operacional nunca é discutido. Operacional se refere ao slippage, as aberturas em gap (o que fazer quando a ação ou título abre acima do preço que o trader planejou comprar), compro a mercado ou a preço fixo, etc. Mas como vc disse, é uma questão de tempo a difusão desse conceito.

    As grandes atratividades do Mini-Índice e do Indice Futuro cheio são a facilidade em operar nas duas pontas (comprado/vendido), a alavancagem que é possível ter (para daytrade a alavancagem é ainda maior) e as plataformas de negociação mais profissionais. Opero o Mini-indice apenas para daytrade, ainda não consegui elaborar um trading system que fosse lucrativo para swing trade.

    Tomei a liberdade de colocar no meu blog um link para o seu site.

    Abraço e sucesso.

    Responder
  7. Eduardo

    BOA TARDE,
    Eu estou com a intenção de migrar meus investimentos da previdencia privada , para o tesouro direto , uma vez que a minha intenção no final do plano é retirar o capital e reaplica-lo. O motivo seria os melhores retornos do tesouro direto e o IR que é aplicado sobre o lucro. Poderia por gentileza dar a sua opinião sobre esta intenção, pois estou na dúvida se estou tomando a decisão correta.
    http://investindo-mes-a-mes.criarumblog.com/Primeiro-blog-b1.
    Obrigado,
    Eduardo

    Responder
    1. Paulo Nogueira

      Eduardo, eu não sou especialista em investimentos. Conheço algumas coisas mais e outras menos (ou nada). Por isso não posso lhe indicar o melhor caminho.
      O Tesouro Direto é um investimento seguro e tua grana não deve diminuir nele. Agora, para saber se é melhor que algum fundo de renda fixa, por exemplo, você mesmo precisa buscar a informação no site dos bancos, comparar e tirar suas conclusões.

      Outra coisa: no seu blog não coloque os valores em $$ como fez no último post. É melhor mostrar tudo em %.
      Tem muito malandro por aí e o mais seguro é precaver-se.

      abraços
      Paulo

      Responder
    1. Paulo Nogueira

      Olá JohnDaniels.
      depende do que você chama de sistema mecânico. Hoje ainda não possível (leia-se acessível) para o especulador pessoa física no Brasil automatizar 100% suas operações na Bovespa. Isso ocorre porque os robôs que enviam ordens para a Bovespa são muito caros.
      O que é possível (e eu aconselho) é você mecanizar suas REGRAS de operação para então, utilizando backtest, verificar se o sistema funciona e é lucrativo. Se for, aí você segue as suas REGRAS e beleza.

      Sistemas automáticos são geralmente escritos em linguagem de programação, gerando os sinais de entrada e saída. Se você não sabe programar nada o ideal é pelo menos começar aprendendo a utilizar bem o Excel. Longe de ser o ideal, mas ajuda.

      abraços
      Paulo Nogueira

      Responder
  8. CZ Trading System

    Olá,
    Na minha visão a utilização de sistemas automáticos é o passo seguinte após o trader definir uma estratégia sistemática (Trading System). O mais importante é ter uma metodologia que seja lucrativa, depois disso é operá-la manualmente e, se valer a pena, o trader pode automatizá-la.
    Pra mim o que mais interfere na necessidade de automatizar o sistema é a quantidade de operações no dia. Sistemas de alta freqüência devem ser automatizados enquanto que sistemas que geram 1,2,5 ou 10 operações podem ser facilmente operados manualmente, mas para isso o trader deve estar sempre conectado e atento ao mercado.
    No meu caso tenho um sistema que gera na média 1,5 trades por dia, tem dia que gera nenhuma entrada, mas há dias que gera 4 ou 5 entradas, e todas são operadas manualmente sem grandes problemas e atropelos. Se tiver interesse em Trading System visite meu blog onde posto informações sobre o sistema http://cztradingsystem.blogspot.com/.

    Bons trades.

    Responder
    1. Paulo Nogueira

      Sua visão está correta, mas vale ressaltar apenas um ponto na nomenclatura, que pode ser confuso.
      Automatizar sistemas (regras) não significa apenas criar um robô que faz cálculos e envia ordens sozinho. Pode ser isso, mas automatizar suas regras e montar um “sistema” pode ser simplesmente definir uma estratégia lucrativa e seguir a risca os seus sinais de entrada e saída, mesmo que sendo “na mão” durante um dia inteiro (para day-traders) ou com preços de fechamento (para quem olha o mercado depois de fechado, que é meu caso), só para citar dois exemplos.

      Responder
  9. jonit

    Folhainvest é um lixo, porque a corretagem é tabela bovespa (0,5% sobre o valor da transação)

    Sinceramente, tem que ser mto burro pra operar numa corretora nesses parÂmetros.

    O melhor pra mim é o simulabolsa.com.br

    corretagem fixa de 10 reais igual a mta corretora por aí

    Responder
  10. Radar_Bovespa

    Boa tarde a todos,

    Gostaríamos de parabenizar ao site pelo assunto e forma com que foi feita a abordagem sobre Trade Systems.

    Informamos que foi disponibilizada uma versão free de nossa plataforma para acompanhamento end-of-day dos principais ativos negociados na Bovespa.

    iX Trading System (cotações end of day) – http://bit.ly/gjLUXf
    Performance iX Trading System – http://bit.ly/fNE50Z
    Graficos iX – http://bit.ly/dWNzwC
    Portfolio iX 2011 – http://bit.ly/e4o2DT

    Responder

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