Análise de “A Ascensão do Dinheiro” de Niall Ferguson

Publicado em novembro de 2008, o livro “A Ascensão do Dinheiro”, escrito por Niall Ferguson, logo entrou na lista dos mais vendidos do New York Times. Pouco depois, surgiu a idéia de gravarem um documentário baseado na obra. O resultado foi exibido no canal inglês PBS. Fez sucesso, chegou ao Estados Unidos, também fez sucesso e então, em novembro de 2009, exatamente 1 ano depois do lançamento do livro, venceu o Emmy Internacional de Melhor Documentário.

Agora, assim que me indicaram os vídeos, procurei na internet e descobri um lugar para assistir. Confesso que enrolei um pouco para ver porque as 6 partes que compõe o programa, duram quase 5 horas no total. E ainda sem legenda, o que me desanimou por alguns dias. Mas depois de um tempo, num ocioso final de semana, decidi assistir. Aí sim, vi as 3 primeiras partes de uma vez e só terminei o resto no dia seguinte pois estava muito tarde, ou muito cedo, dependendo do ponto de vista.

Como gostei muito do que vi, decidi compartilhar com vocês nesse post, uma análise geral, tanto do documentário quando do livro “A Ascensão do Dinheiro”. Lembrando que, apesar do livro custar dinheiro, os vídeos podem ser assistidos legalmente direto do site da PBS (ou no Tudou, link no final). Infelizmente, também sem legendas. O dia em que o DVD chegar ao Brasil, tudo bem. Mas até lá, aproveite a boa oportunidade para treinar esse seu inglês mixuruca, ou não 😀

Era uma vez um banqueiro, e uma crise, a recessão, o mercado de derivados…

…uma guerra… ahh, e sabiam que eu também sou um ventríloco?

Começo dizendo que, forçando bem a barra, “A Ascensão do Dinheiro”, tanto o livro quanto o documentário, parecem versões muito mais resumidas, “digeríveis” e atualizadas do clássico Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds. Às vezes, falando das mesmas coisas. Como por exemplo, da história do infeliz assassino (literalmente) do John Law. Que detonou com a, já moribunda, economia da França, criando a primeira bolha de ações e indiretamente, causando a revolução francesa.

Mas tirando bolhas velhas, tulipas idiotas e gente doida comprando algodão, existe muito mais em “A Ascensão do Dinheiro”. Ou seja, acontecimentos mais recentes, dos quais alguns de nós até possamos ter vivenciado. Como a crise da Argentina na década de 80, a do Japão na de 90, a palhaçada do sub-prime e dos empréstimos aos “ninjas” (No Income, No Job or Assets). Ou a explosão do número de hedge funds e o aumento exponencial do tamanho do mercado de derivativos.

Passando pela Irlanda, Itália, Inglaterra, Argentina, Japão, China, Estados Unidos e vários outros países, Ferguson resume os mais importantes (e interessantes) acontecimentos econômicos de ontem e de hoje. Ele explica a origem dos bancos, do crédito, a importância gigantesca do mercado de títulos de renda fixa governamentais para o financiamento das guerras, e como hoje, esse mercado é controlado por praticamente apenas um “fundinho” mútuo chamado PIMCO, e muito mais.

Agora, o mais legal de “A Ascensão do Dinheiro” é quando Ferguson começa a falar sobre um assunto que você conhece. Você pensa que ele deveria incluir uma outra história ou informação, e aí ele inclui! Quando começou a falar dos derivativos, pensei: “Cara, você deveria falar um poucos dos “gênios” do modelo Black&Scholes e do Long-Term Capital Management“. E adivinha do que ele fala depois? Exatamente disso! Brevemente? Sim, mas mesmo assim é legal assistir o que você “está pensando”.

O Documentário “A Ascensão do Dinheiro”

Esse vídeo é o documentário completo e bonitinho só para você..

Ok, tudo o que eu falei acima se refere ao conteúdo do livro e do documentário. Agora, explicarei as diferenças entre os dois. Mas antes de começar a puxar o saco do Niall Ferguson, já digo que eu tenho uma tendência a odiar professores de economia. Os que tive enrolavam, não me ensinaram nada de útil e, quando finalmente tinham a decência de compartilhar algo interessante, como o mercado de debêntures, falavam apenas um pouco para voltarem na próxima aula com as mesmas chatisses de sempre.

Por isso gostei bastante do apresentador, o próprio Niall Ferguson. Achei que o cara era “o único bom professor de economia no mundo”. Só que aí me decepcionei ao descobrir que essa famosa figura de Harvard não é um economista, e sim, um professor de história especializado em economia e finanças. Mas tudo bem. O que importa é que, ao contrário da maioria das pessoas da área, no documentário, Ferguson consegue prender o telespectador de uma maneira muito eficiente. Você até “viaja” às vezes.

Exemplo! Uma hora ele explica como a louca inflação na Argentina zoneou o país. Mas é tão interessante que você se pega imaginando o que teria feito na mesma situação. Se teria valido mais a pena comprar um “Tesouro Direto Argentino” corrigido pela inflação ou se teria sido melhor gastar tudo com ouro. Quando você acorda e para de inventar maneiras de se fazer hedge para se proteger de uma crise que já passou, o vídeo foi sem você! Aí é só voltar e continuar assistindo e viajando. Fantástico.

É claro que nem tudo são rosas. O ponto negativo é que, apesar de serem quase 5 horas de documentário, o tempo passa voando. E como ele fala sobre muitas coisas, fica aquela sensação de: “Pô, não podia ter enrolado por mais umas 10 horas?”. E não digo isso porque seria necessário, mas apenas porque seria ainda mais divertido. Se tivessem aumentado bastante a duração, o produto meio que poderia deixar de ser um documentário para se tornar uma série de vídeo-aulas, o que seria o máximo. 😀

O Livro “A Ascensão do Dinheiro”

O livro, ou seja, a versão original de “A Ascensão do Dinheiro” apresenta, como esperado, praticamente o mesmo conteúdo do documentário. As maiores diferenças estão nos detalhes. Enquanto os vídeos resumem o material de uma maneira que seja mais fácil para o telespectador de entender, o livro parece “comprimir” todo esse material. Ou seja, o conteúdo ainda é o mesmo, porém o nível de detalhamento é mais alto. Logo, o livro é mais profundo e, consequentemente, um pouco menos “light”.

Eu acho o seguinte. Se você não gostou dos vídeos (vai ver você é um professor de economia…) talvez não valha a pena comprar o livro. Porém, se você realmente gostou do documentário e quer saber mais sobre o assunto, a versão em papel pode ser uma ótima adição à sua biblioteca. Tudo bem que você não vai aprender a investir ou a especular. Porém descobrirá informações interessantes sobre a economia e seus ciclos. Como um Jesse Livermore com seu atualizado Extraordinary Popular Delusions…

Por isso, recomendo “A Ascensão do Dinheiro”, documentário e/ou livro, para qualquer interessado na história da economia, do crédito e etc. Preciso avisar que, apesar de ter gostado do material de Ferguson, eu não sou um economista (e se fosse, não seria um chato), logo, não posso garantir que tudo o que ele diz está correto. Porém, se tem algo que eu garanto é, para o público certo, “A Ascensão do Dinheiro” é uma diversão de primeira. Portanto, pegue a pipoca ou uma poltrona bem confortável e divirta-se!

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2 Comentários Análise de “A Ascensão do Dinheiro” de Niall Ferguson

    1. Hugo

      Legal e muito bem feito o vídeo. Espero que façam mais.

      O que eles começam a falar a partir dos 2 minutos é a mais pura verdade. E me fez lembrar de um episódio de South Park chamado Margaritaville:

      http://www.southparkstudios.com/episodes/220760/

      Como todos os outros episódios de SP, vale a pena ver 🙂

      Sem legendas porém…

      edit: ah é! Boom and Bust também é o subtítulo da versão documentário do A Ascensão do Dinheiro, interessante.

      Responder

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