A Dúvida do Investidor: Ações, Ouro ou McDuplos?
Na época em que estava começando a ler sobre a análise fundamentalista e investimentos em geral, ia todos os dias para a faculdade de carro. Como em muitos desses dias eu não tinha a primeira aula, sempre dava um pulinho no shopping mais próximo com a intenção de passar um tempo. E conferir os novos lançamentos de livros sobre o mercado de ações, obviamente.
Ficava bisbilhotando os livros, normalmente sem comprar nenhum, até o momento em que começava a sentir fome. Já tinha uma boa educação financeira e procurava não gastar meu dinheiro com bobagens, mas mesmo assim, sempre comprava alguma tranqueira para matar a fome. E o que eu escolhia? Um super saudável hambúrguer McDuplo só o lanche do McDonalds!
Jantava esse negócio umas 3 vezes por semana e gastava sempre o mesmo dinheiro, 3.5 reais a unidade. E então, voltava para casa e passava o resto do dia lendo sobre a bolsa de valores.
Mas aí um dia desses, enquanto estudava ações de baixo custo, encontrei, para minha surpresa, um papel negociado por exatamente o mesmo que o meu bom e velho amigo McDuplo.
Faculdade + Bolsa de Valores = Hambúrguer + Klabin!
A empresa se chamava Klabin, conhecida como KLBN4 na Bovespa, e era vendida na época por volta de 3.5 reais. Sempre passava na frente da fábrica quando ia para São Paulo e por isso achei engraçado que a única empresa que conhecia de olho, custava a mesma coisa que meu gorduroso jantar.
E foi exatamente a partir desse momento que comecei a ter idéias relativamente doidas. Se estivesse na fila do McDonalds esperando para pedir meu lanchinho, sempre pensaria:
“Hmm, eu tenho 3.5 reais e basicamente duas opções. Ou eu como os hambúrguers que, apesar de serem gostosos, serão digeridos e cagados depois, ou fico com uma única KLBN4 que, mesmo se for um péssimo papel, vai durar muito mais do que o lanche…”
Sempre escolhia o lanche. Não era possível comprar uma KLBN4 só com 3 reais porque precisaria gastar também com as malditas taxas de corretagem e, considerando que isso significava um aumento ao custo de 2,7 reais, não levei a sério nem por um mísero momento a idéia de fazer meu investimento formiga.
Além disso eu não poderia comer uma ação.
Dinheiro + Máquina de Coca-Cola = Barrinhas de Ouro!
O tempo passou e cheguei em 2010. Aí esses dias vi uma matéria sobre malucos que instalaram uma máquina que vende ouro num hotel nos Emirados Árabes. Funciona assim, o tiozão chega na máquina, passa seu cartão, indica a quantidade de barrinhas de ouro desejada e, pagando um acréscimo de 30% sobre o último preço das cotações atrasadas do minério, recebe seu ourinho.
Imediatamente pensei em como seria fantástico se existissem máquinas parecidas no Brasil, que funcionassem única e exclusivamente no horário de pregão e que, conectadas à bolsa de valores, pudessem oferecer aos seus clientes, a possibilidade de comprarem ações da mesma forma na qual compramos latinhas de refrigerantes naquelas máquinas de venda.
No meu caso, em vez de gastar dinheiro com comida (pufff :P), passaria na “Compre Ações na Bovespa Aqui, Agora e é Sagaz!” e compraria uma KLBN4 em vez do lanche. Comida por ações, mais ou menos como fazia no ensino médio, gastava o dinheiro do recreio em cartas de Magic: The Gathering. Sim, eu me arrependo disso e tenho vergonha também :S
Mas voltando… Infelizmente a idéia não seria viável pois ainda precisaríamos pagar pelas taxas de corretagem. Porém se fosse possível comprar e vender (mesmo à descoberto!) ações de graça e com a mesma facilidade dos caixas eletrônicos ou maquininhas de Coca-Cola e ouro, acredito que as pessoas gastariam menos dinheiro com tranqueiras e investiriam mais…
…ou não! Talvez as futilidades ganhem para sempre!
Mas traders e investidores com certeza tirariam proveito do “recurso” :D
BTW, esse foi o post número 101 do SenhorMercado, ou seja, Feliz “Níver” Blog :)
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